Revista Aquaculture Ed 16 16-ed-revista-ab-aquaculture-brasil-issu | Seite 40

Segundo o WBCSD (2000), os três objetivos da ecoeficiência que são: a) Redução do consumo de recursos: inclui a minimização da utilização de energia, materiais, água e solo, englobando a reciclabilidade e a durabilidade do produto e fechando o ciclo dos materiais; b) Redução do impacto na natureza: inclui a minimização de emissões gasosas, descargas líquidas, eliminação de desperdícios e dispersão de substâncias tóxicas, assim como o fomento da utilização sustentável dos recursos renováveis; c) Aumentar o valor do produto ou serviço: significa beneficiar os clientes através da funcionalidade, flexibilidade e modularidade dos produtos. A ecoeficiência é muito importante estrategica- mente para o setor privado, já que permite que sejam reduzidos gastos com matérias-prima, energia e água, permitindo a prevenção de acidentes ambientais e suas consequentes sanções, além de conquistar mais consumidores (Camara; Lima; Pimenta, 2011). Além das vantagens para o setor privado, a ecoeficiência pode apoiar os governos a conceber uma estratégia nacional para o desenvolvimento sustentável. A economia e a qualidade de vida continuarão a crescer, enquanto a utilização dos recursos naturais e a poluição diminuirão (WBSCD, 2000). A visão da Economia Circular (EC) é ainda mais recente. A EC vem sendo utilizada nas discussões sobre os desafios ambientais e promoção do desenvolvimento sustentável industrial. Ao contrário da reciclagem tradicional, a abordagem política orientada enfatiza a reutilização de produtos, componentes e materiais, remanufatura, remodelação, reparação, cascata de atualização, bem como o potencial de fontes de energia sustentáveis (Korhonen et al. 2018). Os modelos de EC, com um fluxo diferente da tradicional economia linear, mantêm o valor agregado nos produtos o maior tempo possível e minimizam o desperdício (Maio et al., 2017) (Figura 3). Segundo Korhonen, Honkasalo e Seppälä (2018), em uma abordagem crítica sobre os conceitos de negócios em EC a partir da perspectiva do desenvolvimento sustentável e suas três dimensões, econômica- ambiental-social, sugerem como definição: “A economia circular é uma economia construída a partir de sistemas de produção e consumo societários que maximizam o serviço produzido a partir da natureza linear - material de natureza da sociedade e fluxo de 40 energia. Isso é feito usando fluxos de materiais cíclicos, fontes de energia renováveis e fluxos de energia. A economia circular bem sucedida contribui para as três dimensões do desenvolvimento sustentável, limitando o fluxo de produção a um nível que a natureza tolera e utilizando os ciclos do ecossistema nos ciclos econômicos, respeitando suas taxas de reprodução natural.” Os fluxos de resíduos produzidos pela sociedade podem servir como parte desses ciclos renováveis conjuntos. Este tipo de atividade é fortemente defendida nas recentes visões de negócios onde os chamados “nutrientes biológicos” das indústrias que utilizam biomassa são lançados de volta à biosfera, onde contribuem para o crescimento da biomassa e para a manutenção da biodiversidade (Korhonen; Honkasalo; Seppälä, 2018). Em uma busca recente sobre o tema “Circular economy” no portal de artigos científicos ScienceDirect. verificamos a presença de 4007 resultados para artigos e revisões. Ao executarmos uma busca avançada somando o tema Aquaculture, encontramos 156 artigos indexados, sendo observado um interesse crescente nos últimos cinco anos sobre o assunto (Figura 4). Apesar disso, os artigos encontrados tratam mais sobre o sistema produtivo em si (ex.: sistemas de recirculação e/ou multitrófico integrado), do que uma visão global da indústria, como precede a visão da Economia Circular propriamente dita. Em uma pesquisa recente, Maio e colaboradores (2017) propõem um novo indicador de valor para avaliar o desempenho em termos de eficiência de recursos e da economia circular. Dos 40 setores e indústrias analisados, a aquicultura e pesca aparecem com o menor valor neste índice de circularidade e eficiência, possivelmente pelo alto valor dos insumos, baixo valor agregado e pequeno volume de resíduos retornados à indústria para reaproveitamento. Conclusão Com a crescente demanda por alimentos de qualidade, a importância da participação da aquicultura como fornecedora de pescado para consumo humano e o potencial dos resíduos gerados pela indústria de beneficiamento de pescado, a Economia Circular na Aquicultura se apresenta como uma importante ferramenta para a logística da matéria-prima e a biotecnologia para o desenvolvimento de inovações, resultando em práticas comerciais mais rentáveis e seguras.