Gucci, Prada e João Pimenta apresentaram desfiles
destacando modelos andrógenos, roupas versáteis e,
principalmente, a ideia de livre escolha no código de se
vestir.
No Brasil, há sinais desse caminho. A gigante C&A
lançou uma campanha intitulada “Tudo lindo e
misturado” apresentando homens e mulheres nus que
escolhem roupas de forma aleatória, sem muita
distinção. Há inclusive um homem provando um vestido,
o sinal claro de que o genderless é um dos objetivos da
campanha.
Outras personalidades também ganharam destaque
nesse contexto. O ator Jaden Smith, filho do ator Will
Smith, é conhecido no mundo fashion e estrelou uma
campanha da Louis Vuitton vestindo saias. O modelo
andrógino Andrej Pejic é destaque no cenário da moda
mundial e a transexual brasileira Lea T também
protagonizou uma campanha da Givenchy mostrando
que as grifes querem se apegar cada vez menos ao
estereótipo de gênero.
A Pantone, empresa norte americana reconhecida em
todo o mundo pelo seu sistema numérico de cores
(escala pantone) elege anualmente, desde 2000, a cor
que será referência para profissionais. E, elegeu, há
alguns anos atrás, duas cores: rosa Quartz e Serenity
justificando que a mistura de cores essencialmente
classificadas pelo feminino e masculino vem para propor
a igualdade de gêneros.
O debate sobre gêneros foi trazido para o mercado de
trabalho, para as escolas e para a família. O caminho
natural é que a discussão se estenda e reflita também
na economia e no consumo. De acordo com essa
tendência, estariam o masculino e o feminino abolidos
da moda e a igualdade seria a solução? É fato que a
busca pela igualdade entre homens e mulheres no
âmbito social é antiga, mas seria um pouco radical
sacramentar as coisas dessa forma?
Biótipos femininos e masculinos são diferentes, assim
como a modelagem e o caimento para determinadas
peças. Pode-se considerar então, que a ruptura de
paradigmas é necessária para que novas coleções mais
versáteis sejam criadas, ressaltando a individualidade de
ambos, sem o apelo do que é chamado de politicamente
correto.
“A cultura de consumo contemporânea tem colocado em
choque as relações tradicionais de gênero e classe
social”
Homens e mulheres são diferentes em sua essência e a
Lea T & Givenchy
David Bowie
igualdade que se busca é justamente a da
desconstrução do padrão estabelecido para a criação
de um novo, livre de certo e errado. Roupas são
formadas de tecidos, texturas e cores e nenhum desses
elementos possui gênero. A associação para
determinado gênero provém das convenções sociais e
aderir à pluralidade trará mais dinamismo à moda em
uma sociedade cada vez mais globalizada e conectada.
JULHO 2018 - REVISTA AMOORENO - 41