Revista Amooreno Edição 06 - JUL2018 | Page 41

Gucci, Prada e João Pimenta apresentaram desfiles destacando modelos andrógenos, roupas versáteis e, principalmente, a ideia de livre escolha no código de se vestir. No Brasil, há sinais desse caminho. A gigante C&A lançou uma campanha intitulada “Tudo lindo e misturado” apresentando homens e mulheres nus que escolhem roupas de forma aleatória, sem muita distinção. Há inclusive um homem provando um vestido, o sinal claro de que o genderless é um dos objetivos da campanha. Outras personalidades também ganharam destaque nesse contexto. O ator Jaden Smith, filho do ator Will Smith, é conhecido no mundo fashion e estrelou uma campanha da Louis Vuitton vestindo saias. O modelo andrógino Andrej Pejic é destaque no cenário da moda mundial e a transexual brasileira Lea T também protagonizou uma campanha da Givenchy mostrando que as grifes querem se apegar cada vez menos ao estereótipo de gênero. A Pantone, empresa norte americana reconhecida em todo o mundo pelo seu sistema numérico de cores (escala pantone) elege anualmente, desde 2000, a cor que será referência para profissionais. E, elegeu, há alguns anos atrás, duas cores: rosa Quartz e Serenity justificando que a mistura de cores essencialmente classificadas pelo feminino e masculino vem para propor a igualdade de gêneros. O debate sobre gêneros foi trazido para o mercado de trabalho, para as escolas e para a família. O caminho natural é que a discussão se estenda e reflita também na economia e no consumo. De acordo com essa tendência, estariam o masculino e o feminino abolidos da moda e a igualdade seria a solução? É fato que a busca pela igualdade entre homens e mulheres no âmbito social é antiga, mas seria um pouco radical sacramentar as coisas dessa forma? Biótipos femininos e masculinos são diferentes, assim como a modelagem e o caimento para determinadas peças. Pode-se considerar então, que a ruptura de paradigmas é necessária para que novas coleções mais versáteis sejam criadas, ressaltando a individualidade de ambos, sem o apelo do que é chamado de politicamente correto. “A cultura de consumo contemporânea tem colocado em choque as relações tradicionais de gênero e classe social” Homens e mulheres são diferentes em sua essência e a Lea T & Givenchy David Bowie igualdade que se busca é justamente a da desconstrução do padrão estabelecido para a criação de um novo, livre de certo e errado. Roupas são formadas de tecidos, texturas e cores e nenhum desses elementos possui gênero. A associação para determinado gênero provém das convenções sociais e aderir à pluralidade trará mais dinamismo à moda em uma sociedade cada vez mais globalizada e conectada. JULHO 2018 - REVISTA AMOORENO - 41