IGUALDADE DE GÊNERO
Andrej Pejic
Conchita Wurst
Desfile de JeanPaul Gaultier
40 - REVISTA AMOORENO - JULHO 2018
assegurados por dois sexos fixos predominou até bem
pouco tempo e era fácil para a moda prover
comportamentos e criar produtos dentro das caixinhas:
maquiagem para meninas; bota de caubói para meninos.
Mas, os modelos explicativos de gênero pautados na
oposição ‘construção social versus natureza’ vêm sendo
questionados com força. Gênero é construção. Finalmente
a roupa não precisa mais se proclamar binária.
Reconhecer a diversidade de formas de viver o gênero é
uma grande revolução. Ao não vincular-se em nenhuma
categoria de gênero, uma pessoa pode ser considerada de
gênero fluído, transitando entre os gêneros, não-binário, ou
extinguir definitivamente qualquer definição relativa a
gênero.
O corpo hibrido performa de acordo com sua vontade.
Significa que não só aquele corpo assume certos papéis e
reproduz determinadas atitudes, mas que imprime
conotações que marcam o gênero e as identidades.
A moda tem uma gigantesca influência na maneira como
refletimos sobre e como sentimos nossos corpos. Uma
posição de poder sem par, trazendo a responsabilidade de
produzir e refletir novas manifestações.
A androginia deu partida à ambiguidade de gênero na
moda. A incorporação de elementos do sexo oposto no
figurino foi alimentada por personagens da cultura musical
pop, como Mick Jagger e David Bowie usando peças de
lantejoulas a Caetano Veloso de saias. Nos desfiles da
década de 80, a modelo Twiggy passava com ar andrógino
enquanto Jean-Paul Gaultier vestia homens com saias,
causando estardalhaço. O campo das artes permitiu essa
transição sem grandes exigências ou explicações.
No século 21 , fluidez de gênero não é mais só um elemento
estático. Em programas de TVs e nas passarelas cresce a
representação dos personagens não-binários, não com
ambiguidade, mas como afirmação. A fluidez está na
própria essência. No circuito da moda, o corte reto, assim
como babadinhos ou florais, permeiam ambas as coleções,
masculinas e femininas. E para algumas marcas que estão
chegando e enxergando longe, sequer há separação entre
as coleções.
A linha tênue que separa os estilos masculino e feminino
vem sendo cada vez mais apagada, na medida em que as
transformações sociais ofuscam a necessidade do indivíduo
em encaixar-se nesses estereótipos.
Este movimento tem ganhado força nos últimos anos e a
ele são atribuídos vários nomes; desde o mais conhecido
unissex até os mais novos como gender-bender, mannish,
genderless e plurissx. Grifes mundialmente famosas como