Revista Amooreno Edição 00 - jan/2018 | Page 52

TECNOLOGIA

TECNOLOGIA

O casaco Moon Parka, feito com teias de aranha.
Um acesso rio que muda de cor, da The Unseen.

Houve uma época em que a matéria­prima da roupa foi revolucionada por novos processos químicos( roupa de lycra, por exemplo), agora as possibilidades são outras. a Modern Meadown é uma marca que consegue cultivar, em laboratório, um tecido desenvolvido através da biotecnologia, um tipo de tecido que a marca acredita que vai ser comum daqui a uma década. A Modern Meadown não é a única que está fazendo experiências com as novas possibilidades tecnológicas na composição de matéria­prima para uma roupa. Há outras, como a Bolt Threads, dos EUA, que consegue cultivar teias de aranhas a partir da fermentação de proteínas e a transforma em tecido, ou a Spiber, do

Japão, que está tentando seguir o mesmo processo, mas a uma escala de produção de massa, e que até já desenvolveu um casaco protótipo em parceria com a The North Face – o The Moon Parka.
E se é possível cultivar tecido, também é possível trabalhar com as cores de novas formas. É o caso da The Unseen, que apresenta uma gama de tecidos que mudam de cor em interação com o ambiente, e por isso fala da sua tecnologia como uma espécie de“ alquimia têxtil”. E isto não está acontecendo somente no campo das ideias, já foi mesmo produzida uma linha de acessórios para a Selfridges com mochilas e lenços que mudam de cor cada vez que tocam na pele ou quando estão expostos ao vento e ao sol.
Perante tantas possibilidades, a questão que ocupa os designers e os criadores de moda é muito mais estética do que técnica: é mesmo possível criar acessórios e peças de roupa que sejam fruto de tecnologia, mas que sejam, antes de mais nada, peças bonitas para se usar no dia a dia? Já existem algumas propostas concretas de roupa chegando ao mercado, como é o caso do Jacguard, um casaco da Levi’ s que usa tecnologia Google, e que deve provar, quando chegar às lojas, que apesar de tudo parece mesmo um casaco e dá até para lavar. A tecnologia está nas fibras de uma pequena parte da peça da roupa, que transforma a manga do casaco numa superfície que responde ao toque. Não há fios pendurados, não há baterias, não luzes que piscam e o resultado é ter uma ligação direta a dispositivos tecnológicos, como o smartphone ou um relógio, e conseguir a partir daí fazer pequenas coisas práticas, como receber notificações ou mudar a música que está ouvindo. Parece que é assim que terá de ser a verdadeira roupa inteligente: pode ser muito esperta, mas tem de continuar parecendo roupa. Essas mudanças, também, impactarão no perfil dos profissionais demandados. A capacitação dos profissionais é um dos eixos centrais desse novo conceito. Para os profissionais de moda, será indispensável agregar ao design os conhecimentos de robótica, programação e neurociência. Todas essas tecnologias e ferramentas abrem caminho para o futuro da moda. Agora é esperar para saber o que as próximas décadas nos reservam. ■
52- JANEIRO 201 8- AMOORENO