43 ª EDIÇÃO DA CASA DOS CRIADORES
Na 43 ª edição da Casa dos Criadores, os direitos e representatividade negra e trans, a cultura underground e a sustentabilidade foram temas pertinentes nos desfiles, e através da moda foi dada a mensagem onde a nova geração de estilistas colocou política, questões de raça e gênero na passarela. Em cinco dias, 24 marcas apresentaram suas coleções ajudando a esboçar o que deve ser o que deve ser o futuro da moda brasileira voltado para causas ligadas a diversidade, feminismo e direitos LGBT. Em termos de negócio, essa nova era é capitaneada por marcas " pequenas ", de menor difusão, que têm as redes sociais como principal canal de comunicação e vitrine, que experimentam modelos de comercialização alternativos, como a produção sob encomenda e a venda direta ao consumidor-seguidor pelo WhatsApp ou Instagram. " Eles têm um tamanho que é muito adequado, não dão passos maiores que a perna e ao mesmo tempo querem vender, têm uma história comercial bastante resolvida ", avalia André Hidalgo, o diretor do evento. Criativamente falando, outra característica dessa geração de marcas e estilistas é o ativismo, um engajamento em pautas antes incomuns ao ambiente da moda. Essa " subversão " surge nos castings de modelos com gente de estaturas, pesos, cores, etnias e identidades de gênero variado, nos assuntos sobre o qual tratam os desfiles, e na forma de apresentá-los... Um dos melhores exemplos é o Brechó Replay. A marca mostrou personagens de uma escola imaginária onde não há bullying e alunos de química, bruxas, clubbers e skatistas, se vestem e se divertem livremente desfilando sobre carteiras em roupas vintage retrabalhadas( o chamado upcycling) na hora do recreio. A cultura gay foi assunto recorrente. A população LGBT em situação de rua foi a inspiração da coleção utilitária do estilista Weider Silveiro, enquanto Xica Manicongo, considerada uma das primeiras travestis brasileiras, inspirou a coleção afro-street de Isaac Silva. Rafael Caetano mostrou roupas que faziam uma ode aos personagens da Chueca madrilenha e da rua Frei Caneca paulistana, redutos LGBT, com roupas esportivas, sexy e glamourosas. O carioca Fernando Cozendey fez um dos mais perturbadores desfiles da temporada, tratando do
espinhoso tema do abuso infantil numa coleção " sem cor ", toda em bege, em que opôs volumes fofos e transparências que expunham os corpos das modelos. A Ken-gá Bitchwear, estreante dessa edição, foi no caminho oposto. Fez uma apresentação bemhumorada em que homenageou Elke Maravilha, com mulheres e drags de diferentes tipos em roupas de caráter performático( macacões e bodies metalizados, transparentes, cheios de franjas). Outro destaque da Casa de Criadores foi Alê Brito, um dos estilistas da equipe da Ellus, que mostrou uma coleção em que misturou florais kitsch, vestidos sexy, alfaiataria urbana e jeans.
14- REVISTA AMOORENO- AGOSTO 2018