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Atualmente vive numa casa sem grandes condições , partilhada com uma amiga que o acolheu . Prefere estar em Beja do que em Lisboa nestas condições , porque estar em Lisboa seria bem pior , pois como refere « é tudo muito mais caro – não se consegue sobreviver sem dinheiro . Em Beja , a existência da Cáritas ajuda muito ». ( E7 ). Encontra-se Em Risco de ficar sem Casa .
O terceiro caso ( E8 ), é uma mulher , com 40 anos , natural , e migrante , de um município situado a norte de Portugal . Reside em Beja há cerca dois anos . Exerce , e / ou exerceu , diferentes atividades profissionais , algumas , onde , no passado , ao contrário do presente , foi mais bem-sucedida porque a mudança de residência teve consequência na sua vida profissional . Descreve , em simultâneo , um emaranhado de acontecimentos de foro familiar , aos quais acresce uma situação de doença psiquiátrica e de depressão que sofreu , que , na sua opinião , em muito contribuíram para a condição em que se encontra atualmente . Pernoita com o seu companheiro num espaço do antigo edifício da ESTIG e sobrevivem com o parco rendimento que possuem obtido pela pensão que recebe e pelo que consegue angariar como vendedora ambulante . Procuram uma casa preferencialmente em Beja , mas dado as rendas elevadas das casas considera ser muito complicado reverterem a sua situação de PSSA .
// « Estamos a viver , há um ano , num edifício ao pé da estação de comboios – num quarto de uma casa abandonado onde não possuímos água e luz . Ajudei algumas pessoas a pernoitar … Ainda dormi 3 dias na rua , onde conhecei alguns marroquinos que também estavam numa condição difícil por terem perdido os seus trabalhos .» ( E8 )
Este excerto além de ilustrar a precaridade da situação do casal , demonstra a existência de uma rede de solidariedade entre os que comungam de uma situação idêntica apesar das diferenças culturais e das singularidades de cada uma das suas experiências de vida .
Relação com o projeto
Na opinião destes três beneficiários , existem mais valias associadas ao projeto que são sobretudo relativas à garantia das condições básicas de sobrevivência . Encontram resposta ao nível das suas necessidades básicas e de apoio - nível da higiene , roupa lavada e alimentação que lhes permite , apesar da precaridade , contrariar melhor a adversidade .
Referem , igualmente , outros benefícios , que os podem ajudar a reverter a situação em que se encontram , como diz uma das PSSA ,
// « tenho andado com Dra . A . que me ajuda a procurar trabalho … estamos a tentar para a junta … para ver se conseguem-me meter ali … como não tenho escolaridade … é mais difícil … mas para andar a apanhar o lixo não preciso de escolaridade … estou a aprender a ler , escrever … é isso que ando também a fazer » ( E6 )
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