RelatórioFinal_PSSA | Page 103

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Caracterização e percurso de vida
São jovens , todos homens , com idades entre os 23 anos e os 33 anos , possuem níveis de escolaridade diferenciados - formação básica , média e superior ( um caso com escolaridade básica , três casos com posse do secundário e um caso com posse de um bacharelato ). Dominam , além da língua materna , com maior ou menor fluência , o inglês ( existem três imigrantes que também falam francês e um que fala flamengo ). Quatro são de origem Indiana ( sendo três oriundos da mesma região da India – Punjab ) e um natural de Marrocos .
Entraram em Portugal em períodos diferentes , sendo possível concluir , pelas datas mencionadas , que este fluxo de mobilidade já tem alguma duração e continua a ter expressão no presente - um dos imigrantes encontrava-se em Portugal desde 2016 , outro desde 2021 , os outros dois imigrantes entre 8 / 9 meses e , o caso mais recente , tinha entrado há menos de um mês em território português . Em Beja estão há menos tempo , em média , há cerca de 3 meses , sendo que um dos entrevistados tinha acabado de chegar quando lhe fizemos a entrevista ( julho 2023 ).
Todos eles possuíam uma profissão no seu local de origem , que abandonaram porque a opção não foi exatamente encontrar trabalho igual ao que tinham , mas , antes , sujeitarem-se ao que fosse possível encontrar no país de acolhimento . Os percursos de migração revelam essa mesma precariedade , os imigrantes referiram que passaram por diversos destinos , alguns territórios de contiguidade , todos países europeus , para chegar ao local onde alguém , na maioria dos casos , informalmente ou pessoa de contacto , disse que estavam à procura de trabalhadores , sobretudo , para dar resposta as necessidades de mão de obra decorrentes das campanhas agrícolas . Já em território nacional , em alguns dos casos , o percurso dos imigrantes pauta-se por uma certa deambulação , organizada ou não por mediadores , pela localização das ofertas de trabalho . Vejam-se os seguintes depoimentos :
// « Estive em Itália , dois meses … aproximadamente e depois vim para Portugal para a Costa alentejana . Depois veio o Covid , fiquei sem trabalho … Fui para Vila Real ( norte ) e , depois , Santarém - Almeirim ), depois para Albufeira e , finalmente , para Beja . Em Beja trabalhei apenas 6 dias . Trabalhei em Ermidas , mas nunca me pagaram impostos / descontos . Desde outubro de 2022 que não trabalho . Trabalhei na agricultura sempre em condições precárias (…) Vim de Itália para Arménia e , depois , para Portugal de táxi partilhado com colegas , paguei 500 euros .». ( E2 )
// « Vim para Portugal à procura de trabalho . Falaram-me que havia trabalho na agricultura . Vim para Beja porque um amigo em Faro falou da campanha agrícola . Estive ano e meio a trabalhar em Paris numa companhia , antes de vir para Portugal . (…)» ( E3 ).
// « Fiz um percurso longo de Marrocos – Turquia - Grécia - Albânia - Hungria - Eslovénia - … - Bélgica – Portugal ( 5 anos de viagem ) … Cheguei a Portugal de comboio , há 10 dias , estive no Porto , Lisboa e , depois , Beja . Alguém falou que em Beja poderia ter trabalho , contrato , para ter número fiscal … Se não tiver trabalho em 4 meses vou embora de Beja , é difícil ficar sem trabalho .» ( E5 )
Caracterização do perfil das Pessoas em Situação de Sem-Abrigo apoiadas pelo projeto " Estou tão perto que não me vês " e dos efeitos gerados pelo projeto nos seus percursos de vida - ALT20-06-4230-FSE-000039 – PROC 007 / 2022