Reflexões sobre Educação – Nº 01 – 2017
reflexão sobre seus privilégios sociais, foi um instrumento
que cumpriu sua finalidade. Uma das alunas, por exemplo,
ao defrontar-se com a distância entre ela e o último colocado,
falou sobre como aquilo provocava um mal-estar nela, ao
mesmo tempo em que lhe causava uma irritação, pois não via
como poderia alterar a situação.
Esse desconforto e essa irritação manifestada por vários
(as) alunos (as) são sinais de uma consciência desperta contra
a desigualdade social. O jogo e o debate não ofereceram solu-
ções para um problema tão complexo, porém convidou a re-
ver alguns posicionamentos individuais frente às diferenças.
Através de reflexões em sala de aula, aos poucos, novas prá-
ticas e projetos de intervenção concretos contra a desigual-
dade e os preconceitos estão surgindo no cotidiano escolar –
por exemplo, uma ação autônoma dos alunos e alunas dessa
turma, agora segundo ano do ensino médio, contra a homo-
fobia no colégio, que está sendo planejada ao longo das aulas
de Filosofia. Diante do reconhecimento dos privilégios, o
combate às distintas formas de discriminação vem ganhando
espaço nas turmas e bons frutos virão.
Referências
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racial e o branco anti-racista. IN: Revista latino-americana de ciên-
cias sociais, vol. 8, n. 1., ene-jun 2010.
GARNER, Steve. Whiteness: an introduction. London and New
Yotk: Routledge, 2007.
HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de
Janeiro: DP&A, 2005.
PISCITELLI, Adriana. Intersecionalidades, categorias de articulação e
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2. Goiânia: UFG, 2008. Disponível em:
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