BARREIRAS ANTES DO GOL
Freitas, de 5 anos, se apaixonou pelo futebol quando acompanhava seu irmão mais velho durante os treinos. Os pais, surpresos com a reação da filha, decidiram matricular Nicole na escolinha. “Ela sempre ficava perto do campo de olho no irmão, um dia ela disse que queria jogar também e eu não pensei duas vezes. A Ni joga com os meninos da idade dela e é apaixonada por bolas e bonecas”, conta o pai, Eduardo Freitas.
A grande barreira para juntar meninos e meninas no futebol é o preconceito e na questão do gênero. Luciano contou que já passou por algumas situações complicadas, meninos que se negavam a jogar e muitas vezes ofendiam as meninas. “A atitude das crianças é reflexo do que encontram em casa, não dá pra mudar assim de uma hora pra outra, é preciso de muita conversa”, explica o professor.
Karolyne Silva, conhecida carinhosamente por Karolzinha, é um exemplo de que garotas e garotos podem ocupar o mesmo espaço na equipe. A atacante é aluna da escolinha há 3 anos e é o grande destaque do time sub-13. A única garota da equipe já participou de dois campeonatos e conquistou o título de artilheira do time. “No começo eles falavam que mulher que não sabe jogar e que eu ia me machucar, hoje em dia eles fazem questão de me colocar no time”, ressaltou a jogadora.
Em Maceió, muitos pais reclamam da escassez de escolinhas e academias de futebol para meninas. Mesmo com a presença escolinhas de representações de grandes clubes, como Fluminense, Flamengo, Vasco e Santos, é difícil encontrar alguma que ofereça aulas voltadas exclusivamente ao público feminino. Então a única opção que resta é treinar junto aos meninos.
Pensando nisso, o clube Acauã, que já tem uma equipe feminina, criou uma escolinha de futebol apenas para meninas. A escolinha recebe garotas de 5 a 16 anos, que treinam duas vezes por semana no campo do Loteamento Acauã.
A necessidade por um espaço onde meninas possam se encontrar para jogar bola cresce mais a cada dia em Maceió, um lugar onde elas conseguem sentir que futebol não precisa ter gênero, sem preconceito e sem dificuldade. “Aqui na escolinha além de aprenderem as táticas do futebol, as meninas podem sentir que pertencem a um grupo, que são amigas e podem se divertir jogando”, destaca o professor Bruno César.
Um alívio para os pais, que se preocupam com os times mistos entre meninos e meninas. “Não adianta, sempre existia uma preocupação durante os treinos e jogos. Mesmo que a qualidade no futebol seja a mesma, os corpos são diferentes e futebol é um esporte de contato físico intenso. Agora sinto que as coisas estão equilibradas”, explica Filipe Meireles, pai da Beatriz, aluna da escolinha.
O futebol é um esporte de contato físico intenso. Agora sinto que as coisas estão equilibradas”, explica Filipe Meireles, pai da Beatriz, aluna da escolinha.
ESCOLINHA PARA MENINAS
Ela sempre ficava perto do campo de olho no irmão, um dia ela disse que queria jogar também e eu não pensei duas vezes. A Ni joga com os meninos da idade dela e é apaixonada por bolas e bonecas
08
Foto: acervo pessoal Escolinha Acauã
Foto: acervo pessoal Escolinha Acauã
Foto: acervo pessoal Escolinha Acauã
Foto: acervo pessoal Escolinha Acauã