bem complicado. Por ser um bairro perigoso, muitas pessoas tinham medo de abrir a porta pra gente”, confessa Beatriz Lovato, zagueira do time. Mas a força de vontade das jogadoras não está só dentro do campo. Depois de muita insistência, as meninas ganharam apoio e admiração da população.
Bolas, uniformes de treino e jogo, coletes, água, chuteiras, caneleiras e meiões, esses são materiais básicos necessários para a prática do esporte. Algo simples, que poderia ser facilmente sustentado por patrocinadores. Sem o investimento básico, as atletas utilizam o dinheiro arrecadado com a venda dos produtos para manter o time.
Quando perguntado sobre a ajuda que o time recebe, o treinador Lenno Santos conta que alguns materiais foram doados por pequenos times masculinos do estado. “Já fui professor de outros times, então acabei conseguindo alguns materiais. O que não servia mais para eles, como coletes rasgados e meiões velhos, ajudaram muito as nossas atletas”, comentou o treinador.
A parceria e o entrosamento, elementos essenciais nas quatro linhas, estão presentes também no dia a dia. Sem incentivo da iniciativa privada, e sem apoio do poder público, uma ajuda a outra.
no dia a dia. Sem incentivo da iniciativa privada, e sem apoio do poder público, uma ajuda a outra. “Às vezes nós não temos dinheiro para a passagem de ônibus, então fazemos uma vaquinha. O nosso treinador e atletas que trabalham sempre buscam ajudar a equipe de alguma forma”, destaca Beatriz. Uma atitude de manifesta o real sentido da expressão “uma por todas, todas por uma”, que se tornou o grito de guerra do time.
Manter um time não é fácil, e quando não existe apoio de patrocinadores a situação fica ainda mais difícil. Mas o desafio não desanimou o técnico do Liverpool Alagoano, que foi longe demais para fazer com que o time funcionando. O treinador vendeu o carro e a casa, e passou a morar de aluguel. E buscando ir além em resgatar jovens através do esporte, Lenno deixou seu emprego de pedreiro para se dedicar totalmente a equipe. “Apesar de não ter a vida financeira tão boa como antes, hoje eu sou bem mais feliz porque estou ajudando todas essas meninas”, admitiu ele.
Com a ajuda e apoio da esposa, Laís Santos, o treinador abriga em sua casa quatro atletas. Laís embarcou junto na missão de salvar as meninas e é ela quem acompanha todo o processo desde o começo, inclusive faz os registros fotográficos. “Todo dia é uma nova batalha, um novo desafio, mas vemos a recompensa estampada em cada rosto feliz das meninas”, contou Laís.
Junto com a sua esposa, Laís Santos, o treinador abriga em sua casa quatro atletas. Laís embarcou junto na missão de salvar as meninas e é ela quem acompanha todo o processo desde o começo, inclusive faz os registros fotográficos. “Todo dia é uma nova batalha, um novo desafio, mas vemos a recompensa estampada em cada rosto feliz das meninas”, contou Laís.
Com as desigualdades sociais e falta de oportunidades na sociedade brasileira, o futebol se tornou o grande sonho de milhares de jovens. Meninos e meninas que desde cedo pensam em proporcionar a melhoria das condições de vida. Frases como “quero ganhar dinheiro para ajudar a minha família” e “quero mudar a minha vida” fazem parte da realidade do jovem brasileiro.
Mas não é só o dinheiro o responsável por mudar a realidade dos jogadores, o futebol em si é capaz de mudar vidas. O esporte promove a cooperação, participação, disciplina e prazer entre os jovens, qualidades importantes para a construção da identidade, da autoestima e da autoconfiança.
“Trato elas como minhas filhas. Não quero que elas passem pelas frustrações que eu passei”
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O SUPER TREINADOR
MUDANDO VIDAS
Foto: acervo pessoal Lenno Santos