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Jornalismo esportivo: elas entre as 4 linhas
A presença da mulher no jornalismo esportivo começou a ser percebida entre 1970 e 1980, mas nas décadas anteriores já existiam mulheres nas coberturas de esportes para o rádio e impresso. Na televisão as mulheres começaram a fazer as reportagens em campo apenas 1980.
Da união entre esporte e a imprensa surgiu a primeira jornalista esportiva do Brasil, Germana Garilli, a Gegê, que em 1962 já ocupava espaço no jornal Tribuna Ituana, na cidade paulista Itu. Outra profissional pioneira no jornalismo esportivo foi Mary Severo, a primeira jornalista a ser credenciada pela Polícia de São Paulo e uma das primeiras sindicalizadas no Brasil, era fotógrafa especialista na cobertura de jogos de futebol. Martha Esteves foi a primeira repórter a cobrir vestiários no Rio de Janeiro, na década de 1980, e ficou conhecida por não se intimidar com o ambiente machista e as insinuações dos entrevistados.
Atualmente é difícil definir a proporção entre jornalistas homens e mulheres que atuam na área de esportes no Brasil, e quantos ocupam cargos de chefia nessas editorias. Mas em 2016, a organização de mídia Gênero e Número avaliou colunas esportivas dos dez jornais mais vendidos e circulados nos estados brasileiros e constatou que menos de 10% das colunas são assinadas por elas. E quando se trata dos programas esportivos da TV fechada, cerca de 13% das profissionais são mulheres e ocupam espaço reportagem, de acordo com um levantamento feito pelo UOL Esporte.
A essa ausência de jornalistas mulheres em cargos de chefia no esporte também prejudica o combate à desigualdade da área. Sem mulheres como figuras de referência nas redações, as pautas sobre atletas, modalidades femininas e até mesmo sobre igualdade de gênero acabam sendo barradas por editores.