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A MARTA
É DEZ
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A história da alagoana eleita 6 vezes a melhor jogadora de futebol do mundo
Do campinho de terra do sertão nordestino, quem imaginaria que sairia a melhor jogadora de futebol de todos os tempos. E no rio seco do município de Dois Riachos, interior de Alagoas, uma menina com a bola nos pés e sem medo de competir com os meninos iria ganhar o mundo e mudar a perspectiva do esporte.
Nascida em 19 de fevereiro de 1986, a alagoana desde muito cedo encontrou árduos desafios. Abandonada pelo pai com apenas um ano, Marta e seus quatro irmãos foram criados, em um único cômodo, com muito esforço pela mãe, Tereza. Ainda criança, percebeu a necessidade de trabalhar para ajudar no sustento da família, e pela feira da cidade trabalhou empurrando carrinhos de compras e vendendo roupas. Entrou na escola apenas aos nove anos, mas conheceu a bola muito antes, aos seis, quando começou a acompanhar os primos nas brincadeiras com bola no quintal da avó. A família tinha talento para o futebol: seus primos eram considerados os craques de Dois Riachos, mas em pouco tempo o talento de Marta superou o de todos.
E no barro duro o talento a pequena garota já incomodava os meninos, que não a deixavam jogar e sempre ameaçavam machucá-la. Sua habilidade com a bola chamou atenção de José Júlio de Freitas, o professor Tota, que treinou com muito carinho e dedicação a primeira menina do time. Acostumada a ser a única mulher nos times masculinos, Marta começou a jogar futebol junto com outras meninas no juvenil do Centro Sportivo Alagoano (CSA), em 1999.
Mesmo com o preconceito e discriminação por ser mulher, Marta percebeu que conseguia ser melhor do que os meninos mais velhos e mais forte. Era hora de levar aquilo adiante, manteve a resiliência e continuou fazendo aquilo que mais gostava na vida. “Todos, incluindo meus irmãos, falavam mal de mim. Foi muito difícil. Eu só queria jogar com eles. Os comentários das pessoas me deixavam realmente triste, mas nunca até o ponto de não querer mais jogar futebol”, confessou em entrevista à Agência EFE.
Com muito trabalho e ajuda de amigos e familiares, Marta conseguiu juntar 360 reais e viajou para o Rio de Janeiro com apenas 14 anos. Sem certeza se aquilo daria certo, mas com muita determinação, a jovem saiu de casa para fazer testes no Vasco da Gama e no Fluminense. Seu talento logo despertou atenção do primeiro time, que nos primeiros minutos de teste já percebeu a garra e maestria da garota com a bola.