Pés no Chão Pés no Chão | Page 134

pés no chão: o São Dimas que vivemos Um assalto inesperado por Yasmin Ribeiro U ma noite no meu bairro, Mayra, a amiga da minha irmã, estava em casa. Elas tinham acabado de chegar de uma festa de 15 anos e Mayra tinha ganhado um iPhone 7. Estava super alegre com isso. – Ya, olha só esse iPhone! - dizia se exibindo com o celular. – Aham - suspirei, a verdade é que eu estava morrendo de sono. Ela argumentava coisas do tipo “ah, esse iPhone tem oito gigas de memória e vem com película”. Até entendia a alegria dela, mas aquilo atingiu um ponto chato. Então a minha irmã decidiu ir com a Mayra para a academia, buscar outra amiga, Maria, que treinava taekwondo às 21h. Fui junto para ver se perdia o sono. Acontece que sou muito medrosa e fiquei paranóica só de abrir a porta. Ao olhar a rua, vi aquele breu e o matagal. É tão escuro, tão cabreiro, que prefiro que fique assim mesmo, pois qualquer sinal de luz ou vida, seria macabro. Eu não imagino um motivo para alguém estar num matagal, não pelo menos de noite! Fiquei arrepiada, mas mesmo assim, saímos pelas ruas do bairro São Dimas no meio da noite, com a minha irmã, a amiga dela e o iPhone 7. Subimos a rua Luís Agostinho 134