pés no chão: o São Dimas que vivemos
Um assalto inesperado
por Yasmin Ribeiro
U
ma noite no meu bairro, Mayra, a amiga da
minha irmã, estava em casa. Elas tinham acabado
de chegar de uma festa de 15 anos e Mayra tinha ganhado
um iPhone 7. Estava super alegre com isso.
– Ya, olha só esse iPhone! - dizia se exibindo com o
celular.
– Aham - suspirei, a verdade é que eu estava morrendo
de sono.
Ela argumentava coisas do tipo “ah, esse iPhone tem
oito gigas de memória e vem com película”. Até entendia
a alegria dela, mas aquilo atingiu um ponto chato. Então a
minha irmã decidiu ir com a Mayra para a academia, buscar
outra amiga, Maria, que treinava taekwondo às 21h. Fui
junto para ver se perdia o sono.
Acontece que sou muito medrosa e fiquei paranóica só
de abrir a porta. Ao olhar a rua, vi aquele breu e o matagal. É
tão escuro, tão cabreiro, que prefiro que fique assim mesmo,
pois qualquer sinal de luz ou vida, seria macabro. Eu não
imagino um motivo para alguém estar num matagal, não
pelo menos de noite!
Fiquei arrepiada, mas mesmo assim, saímos pelas ruas
do bairro São Dimas no meio da noite, com a minha irmã,
a amiga dela e o iPhone 7. Subimos a rua Luís Agostinho
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