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Insinuamos também que o “criador” deste universo (mal chamado criador, segundo as
tradições primordiais, já que, na realidade, seria um cosmocrator ou demiurgo, simples
ordenador da matéria, que não teria sido criada por ele) não está só, como única
potestade, operando todas as variáveis, desde um só centro; a chegada de uma raça
extradimensional e sua posterior queda, mediante traição, a fim de aproveitar sua
contribuição volitiva para acelerar a evolução do hominídeo terrestre, apresenta um
sério dilema, já que esta traição original teria sido propiciada por alguns de seus chefes,
em troca de ter um lugar privilegiado para operar no mundo material junto ao criador.
Isto quer dizer que, além dos que ficaram para liberar o espírito, haveria uma facção
que busca perpetuar o encadeamento e evitar a todo custo sua liberação do mundo das
formas.
O poder destes eons ou arcontes, como se chamam os traidores, seria, pois, enorme,
porque contam com o consentimento do criador, e consequentemente com todo seu
apoio. Assim apresentadas as coisas, eles tinham a “frigideira na manga”, já que, ao
dominar a variável do encadeamento, do qual depende a evolução da criatura mais cara
ao demiurgo, seu hominídeo, estão empoderados para operar com discrição no mundo
criado, a partir de uma morada ou esfera superior, conhecida pelas tradições iniciáticas
como Chang Shambala, a contraparte, se preferir, de Agartha ou o Walhalla dos
liberadores.
Chang Shambala ou Nova Jerusalém
Vimos já que as linhagens humanas que levam o sinal do encadeamento são luciféricas,
principalmente aristocráticos e guerreiros. Também vimos que estas linhagens heréticas
têm nas castas sacerdotais e povos do pacto cultural que as secundam, seus mais
amargos adversários.
É por isso que, assim como os liberadores assinalam para os heróis um caminho para
o Walhalla, os traidores assinalam para seus acólitos um caminho que conduz a Chang
Shambala. Aquelas religiões que adoram o demiurgo, que promovem uma conduta
passiva de amor ao mundo da matéria, que sinalizam o comunismo igualitário do
rebanho como um bem, às custas do ego, quer dizer, da individualidade, pintando-a de
pecado e proibindo sua legítima liberdade de expressão; que advogam por uma paz
corrupta antes do que uma guerra justa; que proíbem a veneração de nossas deidades
ancestrais; que secundam a proscrição dos nacionalismos; que afirmam um “povo
eleito” do demiurgo, em sua pretensão de reinar e governar o mundo acima de todas as
demais nações da terra; que apregoam a pobreza de espírito, dando a outra face como
única moral; enfim, todas elas, não se duvide, são guiadas e dirigidas desde Chang
Shambala.