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desta criação, com a finalidade de aproveitar sua contribuição volitiva, quer dizer,
sua energia, para acelerar sua lenta evolução. Lúcifer decide instalar-se no
universo como SOL NEGRO, atrás de Vênus, depois de ter protagonizado sua
própria descida ao mundo, para manifestar-se aos homens que levam sua marca
racial, e ensinar-lhes uma via de liberação; os encadeadores, entre os quais
contam-se alguns chefes de sua própria raça, e que foram os que
protagonizaram a traição original que causou o mistério do encadeamento
espiritual, a fim de ter um lugar no universo criado, para ficar indefinidamente,
provocaram uma terrível contenda, que acabou com o afundamento e destruição
da Atlântida.
Os sobreviventes da grande guerra, entre os quais se contam numerosos povos
que portavam sua marca, sinal inequívoco de que muitos não haviam podido
liberar-se ainda, viveriam na confusão, resistindo à sedução das potências da
matéria, e é nesse momento, quando os encadeadores davam por certa a vitória
sobre Lúcifer, que este deixou cair uma pedra de sua coroa em ARRAS, que
rasgaria o véu dos 600.000 mundos de ilusão e serviria de sinal, até o final dos
tempos, da HONRA e da MEMÓRIA dos caídos, desde a Origem, para constar
que nunca seriam esquecidos nem abandonados, até que o último deles logre
liberar-se; para que quem sinalize e reconheça esse gesto seja por sua vez
reconhecido como legítimo membro da Corte de Lúcifer, o grande chefe
espiritual da raça, avalizando-o para realizar a grande gesta da liberação
espiritual.
Até aqui o mito tartésio. Sem dúvida, chegou aos cátaros através do contato dos
occitanos e iberos, no momento histórico justo, já que, como vimos, o Graal se
manifesta quando há um grupo de homens semi-integrados, que intuem sua
presença, porque constatam que há vários aspirantes à função régia, que podem
protagonizar uma estratégia coletiva de liberação. Recordemos que a
coexistência de Federico II de Hohenstaufen no Ocidente, de Gengis Khan no
Oriente são coincidentes e sincrônicas com a rebelião cátara; ambos ostentam
em seus estandartes o símbolo da raça luciférica, são conquistadores, guerreiros
e anti-sacerdotais.
Por isso, os cátaros deverão aplicar um cerco estratégico ao redor do
Languedoc, para que o Graal se faça visível deve se liberar uma praça, quer
dizer, fazer partícipe da possibilidade de liberação todo o reino, restituindo em
sua psique coletiva os símbolos reencontrados, que outorgarão outro sentido ao
cristianismo, que vai sempre acompanhado de uma mística que insufla no povo
uma poderosa vontade de DESPERTAR do engano; esse fervor é tão grande
nos cátaros, que são capazes de canalizá-lo como Paráklito, o espírito santo 4 .
Além de criticar o materialismo da Igreja, à qual chamavam de a “sinagoga de
Satanás”, predicavam que o universo material era um inferno que tinha sido obra
de um demiurgo ou deus imperfeito de segunda categoria; praticavam o
ascetismo, pois consideravam que o mundo infernal se sustentava na obra
carnal dos corpos de barro, que os “anjos caídos” foram induzidos a cometer
sem compreender que era pecado.
Para difundir estes sentidos, os cátaros valiam-se do Trovar Clus, com a firme
intenção de aproximar a língua de “Oc” a uma inaudita precisão semântica. A
Igreja considerará esta língua como herética e propiciará seu desaparecimento,
depois da sangrenta e genocida cruzada que lançou contra os Cátaros e
4
A palavra “santo” provém do sânscrito “sanât”, que significa eterno ou eternidade.