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I — A “Essência” do Pai 15 mente ligada à intuição de um ser que é luz absoluta, que sustenta, envolve, penetra a existência que percebemos e orienta-a, na liberdade, para um destino. Tanto o Antigo como o Novo Testamento — por exemplo, o Livro da Sabedoria e a Carta de São Paulo aos Romanos — afirmam justamente que é muito simples para o homem, partindo das coisas criadas, chegar a conhecer as perfeições invisíveis do seu criador. E a Igreja está tão convencida disso que o expressou como dogma de fé no Concílio Vaticano I. Então, que aspecto caracteriza a imagem de Deus que podemos perceber? A característica fundamental de Deus, que também os textos citados dos dois catecismos destacam (ainda que detendo-se principalmente numa visão de caráter mais filosófico), é ser uma realidade “pessoal”, ou seja, dotada de liberdade e de inteligência, e não um destino impessoal que domina o homem. Todos nós experimentamos a inteligência, o amor e o desejo — características fundamentais do nosso ser pessoa — como o que de mais sublime existe no mundo criado. Portanto, aquele que intuímos como origem e meta de tudo deve ser também, à sua maneira, “pessoa”, isto é, um ser inteligente, amoroso, desejoso. Tudo isso é posto sob uma luz extraordinariamente límpida e nova pela palavra e pela própria existência de Jesus, mostrandonos que Deus — como diz o Novo Testamento — é amor (cf. 1Jo 4,8-16), ou seja, é capacidade e vontade de se relacionar, de se autocomunicar, de se doar às criaturas, para participar-lhes sua própria vida. Essa descrição de Deus como sendo amor vai, sem dúvida, ao encontro da expectativa e do desejo mais profundo dos homens e das mulheres de nosso tempo.