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14 Na Luz do Pai alma. Ela me atormenta noite e dia. Quem pode conhecer a dor que eu sofro? Não há médico maior do que tu nem doente pior do que eu. O sofrimento tomou-me completamente. Como poderei sobreviver separado de ti? Passo os dias e as noites a te esperar”. E temas idênticos, com outras palavras e formas, ressoam em vários salmos do Antigo Testamento e nos inúmeros textos daqueles que procuram Deus em todas as religiões e culturas. Portanto, Deus é uma questão existencial, antes de ser teórica, no sentido de que toca a realidade mais profunda da existência do homem e, de modos diversos, é constante em todo o percurso de cada vida humana. Poderíamos até afirmar que a pessoa humana é esta busca de Deus, porque o homem é um eterno questionamento sobre a própria criação e o próprio destino. Assim, a resposta primordial à pergunta “quem é Deus?” brota de uma experiência profunda que todos estamos destinados a fazer; ou seja, a minha existência e a das pessoas com as quais me relaciono têm uma origem, uma meta e um sentido. Esta origem-meta-sentido, que é a atmosfera que nosso coração e nossa mente respiram, é aquilo que todas as culturas chamam de “Deus”, embora com termos diferentes. Isto é, aquele ser do qual provêm todas as coisas, em direção do qual se dirige tudo o que é real, e que sustenta e dá sentido a tudo o que existe. Esse conceito está presente também nos dois catecismos citados, cujas propostas têm por fundamento a explicitação dessa percepção e, assim, vêem Deus — universalizando a experiência humana — como o Ser eterno e absoluto que é o fundamento de qualquer outra existência. Cada um de nós lembra-se provavelmente do momento em que se deu conta da própria existência e da existência das outras pessoas ao seu redor. Uma sensação — e é essa a surpresa da qual nasce a filosofia, no sentido mais elevado e mais normal, a filosofia que todos temos — estreita-