Pedras e Demônios pd53 | Page 92

competitividade. Em seu livro The Principles of Political Economy and Taxation, do início do século XIX, David Ricardo (1973) con- ceituava esta vantagem como Renda Diferencial. A competitividade obtida por meio de favores ou por meio de artifícios para desequili- brar os preços comparativos, manter baixos os salários e regular a taxa de câmbio é efêmera, ademais de ser condenável do ponto de vista das regras e princípios do comércio internacional, regulado pela Organização Mundial de Comércio, a OMC. A competitividade genuína, a que se baseia na produtividade e no livre funcionamento dos mercados de fatores, tem como objetivo buscar assimetrias no mercado, fugindo, sempre que possível for, da organização ou estrutura de mercado do tipo de concorrência perfeita. Estas assimetrias são possíveis mediante uma possibili- dade de produzir abaixo do custo médio de produção, o que é um imperativo de expansão e sobrevivência para as firmas que pro- duzem produtos homogêneos ou equivalentes, as commodities, por exemplo, ou mediante uma possibilidade de mudar ou reciclar o produto. No segundo caso, quando se tem capacidade de mudar estruturalmente o produto, gerar um produto novo ou maquiá-lo, se pode propor ou formar o preço, o que não é possível quando os produtos são idênticos ou equivalentes. Ser um formador de preço permanente ou eventual, o que depende do tipo de negócio, é a chave de sucesso da empresa por meio da competitividade. Em alguns casos, a mudança estrutural de um produto existente ou o lançamento de um novo produto sem similares cria a vantagem que se denomina de monopólio tempo- rário. A definição de temporariedade do monopólio se explica por- que as demais empresas do ramo estarão investindo em pesquisa e desenvolvimento para obter um produto similar e, em muitos casos, anos se passam até que consigam. Estabelecer vantagens monopólicas temporárias é tanto mais fácil em setores nos quais os produtos estão sempre se reciclando, como softwares, alimentos diferenciados e vestuário. Em outros, seja por barreiras à entrada, seja pela maior acessibilidade às mudanças técnicas, as possibilidades e monopólio temporário são mais reduzidos. Um caso emblemático de monopólio temporário foi o conquis- tado pelo laboratório Pfizer com a produção de comprimidos de citrato de silnedafila, que tem o nome comercial de Viagra. A Pfizer manteve este monopólio temporário por quase uma década e só deixou de se beneficiar do mesmo após o surgimento de produtos 90 Amilcar Baiardi