A crise da macroeconomia
André Lara Resende
A
teoria macroeconômica está em crise. A realidade, sobretudo
a partir da crise financeira de 2008 nos países desenvolvi-
dos, mostrou-se flagrantemente incompatível com a teoria
convencionalmente aceita. O arcabouço conceitual que sustenta as
políticas macroeconômicas está prestes a ruir. O questionamento
da ortodoxia começou com alguns focos de inconformismo na aca-
demia. Só depois de muita resistência e controvérsia, extravasou
os limites das escolas. Embora ainda não tenha chegado ao Brasil,
sempre a reboque, nos países desenvolvidos, sobretudo nos Esta-
dos Unidos, já está na política e na mídia.
A nova macroeconomia que começa a ser delineada é capaz
de explicar fenômenos incompatíveis com o antigo paradigma. É
o caso, por exemplo, da renitente inflação abaixo das metas nas
economias avançadas, mesmo depois de um inusitado aumento da
base monetária. Permite compreender como é possível que a eco-
nomia japonesa carregue uma dívida pública acima de 200% do
PIB, com juros próximos de zero, sem qualquer dificuldade para
o seu refinanciamento. Ajuda a explicar o rápido crescimento da
economia chinesa, liderado por um extraordinário nível de investi-
mento público e com alto endividamento. Em relação à economia
brasileira, dá uma resposta à pergunta que, há mais de duas déca-
das, causa perplexidade: como explicar que o país seja incapaz de
crescer de forma sustentada e continue estagnado, sem ganhos de
produtividade, há mais de três décadas?
A crise da macroeconomia
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