Governo mira na segurança e erra o alvo
Cleber Lopes
P
ara compensar as medidas amargas que está adotando nes-
tes primeiros meses, o governo do presidente Jair Bolsonaro
resolveu apostar na segurança pública como a bandeira capaz
de segurar sua popularidade. Diante do pouco que foi mostrado
durante a campanha, os eleitores foram levados a crer que a eleição
de Bolsonaro seria um passo para melhorar a segurança pública
no país.
Portanto, faz sentido a antecipação da entrega de ações nessa área,
em contrapartida ao que se chama de pacote de maldades, ou seja,
aquele conjunto de medidas extremamente duras que, acredita-se,
vão salvar a economia, entre as quais está a reforma da Previdência.
Talvez pelo açodamento, em vez de oferecer mais segurança,
o que foi anunciado tem forte potencial para produzir ainda mais
mortes e aumentar os índices de criminalidade. Afora isso, as medi-
das não chegam nem perto das raízes do problema. O pacote de
Segurança e Combate à Corrupção anunciado pelo ministro Sérgio
Moro – desmembrado posteriormente – embaça a visão do eleitor
e atende mais ao desejo de quem quer vingança do que de quem
procura justiça.
A proposta coloca a população em risco, em vez de protegê-la.
O projeto dá carta branca para a violência policial, num cenário de
violações que já é extremamente preocupante. O relatório Circuito
de Favelas por Direitos, elaborado pela Defensoria Pública do Rio
de Janeiro, revela os abusos e violações que podem ser cometidas
por autoridades policiais quando se está longe do controle da socie-
dade e se despreza o Estado de Direito.
O ministro Sérgio Moro deveria ter levado em consideração o
relatório e, em vez de anunciar as novas medidas, poderia ter for-
mulado políticas públicas de médio e longo prazo para combater o
problema da segurança pública.
Sob a coordenação da Defensoria Pública do Rio de Janeiro,
representantes de oito diferentes segmentos percorreram 25 comu-
nidades cariocas colhendo depoimentos de moradores sobre a atu-
ação da polícia. O estudo cobre o período da intervenção federal na
Governo mira na segurança e erra o alvo
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