Pedras e Demônios pd53 | Page 75

Governo mira na segurança e erra o alvo Cleber Lopes P ara compensar as medidas amargas que está adotando nes- tes primeiros meses, o governo do presidente Jair Bolsonaro resolveu apostar na segurança pública como a bandeira capaz de segurar sua popularidade. Diante do pouco que foi mostrado durante a campanha, os eleitores foram levados a crer que a eleição de Bolsonaro seria um passo para melhorar a segurança pública no país. Portanto, faz sentido a antecipação da entrega de ações nessa área, em contrapartida ao que se chama de pacote de maldades, ou seja, aquele conjunto de medidas extremamente duras que, acredita-se, vão salvar a economia, entre as quais está a reforma da Previdência. Talvez pelo açodamento, em vez de oferecer mais segurança, o que foi anunciado tem forte potencial para produzir ainda mais mortes e aumentar os índices de criminalidade. Afora isso, as medi- das não chegam nem perto das raízes do problema. O pacote de Segurança e Combate à Corrupção anunciado pelo ministro Sérgio Moro – desmembrado posteriormente – embaça a visão do eleitor e atende mais ao desejo de quem quer vingança do que de quem procura justiça. A proposta coloca a população em risco, em vez de protegê-la. O projeto dá carta branca para a violência policial, num cenário de violações que já é extremamente preocupante. O relatório Circuito de Favelas por Direitos, elaborado pela Defensoria Pública do Rio de Janeiro, revela os abusos e violações que podem ser cometidas por autoridades policiais quando se está longe do controle da socie- dade e se despreza o Estado de Direito. O ministro Sérgio Moro deveria ter levado em consideração o relatório e, em vez de anunciar as novas medidas, poderia ter for- mulado políticas públicas de médio e longo prazo para combater o problema da segurança pública. Sob a coordenação da Defensoria Pública do Rio de Janeiro, representantes de oito diferentes segmentos percorreram 25 comu- nidades cariocas colhendo depoimentos de moradores sobre a atu- ação da polícia. O estudo cobre o período da intervenção federal na Governo mira na segurança e erra o alvo 73