Pedras e Demônios pd53 | Page 73

uma máquina desarticulada e corrupta. Por que nossa rede de hos- pitais federais é cara e ineficiente? Por que perdemos nossa Bolsa de Valores, a mais avançada do Brasil, por obra e graça de um Del- fim paulista? Por que o Banco Central se mudou para Brasília e a Avenida Brasil virou um cemitério de fábricas convertidas em fave- las? Por que a área portuária levou décadas para fazer uma moder- nização apenas epidérmica que não incorpora a função portuária? Há ainda a apropriação indevida de nosso ICMS do petróleo, suficiente para reduzir drasticamente nossas dívidas. Há ainda negligência da gestão costeira, das agências reguladoras federais e uma enorme quantidade de terrenos e prédios abandonados. A interferência federal é efetiva para assuntos de seu interesse, mas quase nula quando se trata do interesse do estado. As relações entre os governos estadual e municipal costumam ser de compadrio político ou de hostilidade declarada. Durante a fusão, além da apropriação indevida dos bens da cidade, houve também uma irracional distribuição de competências entre a cidade e o estado. Sua intromissão indevida em assuntos de natureza local e a superposição de funções entre a cidade e o estado até hoje pro- vocam muita dor de cabeça. O assunto merece uma urgente revi- são, baseada no artigo 23 da Constituição Federal. Poderíamos, sem dúvida, aliviar o estado de uma dívida federal, injusta e impagável, em favor do desenvolvimento metropolitano e da infraestrutura estadual. O novo pacto federativo poderia incluir ainda o “status especial” de cidade federal autônoma para o Rio de Janeiro; e o status metropolitano para o Grande Rio, com a inte- gração e a presença federal na Agência Metropolitana recentemente criada. A legislação internacional é rica de sugestões nesse sentido. Nossa democracia ressurgiu, já obsoleta, sob o comando de políticos longevos que mal acompanhavam os rumos da nova eco- nomia mundial. O colapso da economia intervencionista perpe- tuou-se, portanto, nos descaminhos da Nova República. O Rio foi o elo mais frágil desta cadeia de fracassos nacionais, porque somos, por índole, performáticos, mas desprotegidos e dóceis. Nossos governantes aceitaram ser o buraco negro deste federa- lismo às avessas, cada vez mais centralizado e dependente da cor- rupção de Brasília. Fomos recentemente iludidos por uma aliança federativa nada virtuosa para fazer rentáveis as Olimpíadas. A conta, que era federal, veio parar na prefeitura do Rio, hoje endivi- dada e falida. Pacto federativo pelo estado do Rio de Janeiro 71