E agora?
O acirramento ideológico, estrategicamente manipulado nos
meios de comunicação, aí incluídas as poderosas redes sociais, cau-
sou uma profunda fissura nos corações e mentes de muitos brasilei-
ros. O processo eleitoral foi basicamente forjado no ímpeto emocio-
nal do eleitor – um desespero de querer, com seu líder, pôr um fim
à alarmante estrutura de corrupção montada nos governos do PT.
O saldo positivo é que a democracia e suas instituições vêm
absorvendo o tranco da irracionalidade coletiva. Outro fator posi-
tivo é que, bem ou mal, há os Poderes Legislativo e Judiciário como
contrapeso institucional, evitando qualquer aventura ou arroubo do
atual governo. Os discursos agressivos, as ameaças de perseguição
à esquerda, os infames elogios aos torturadores durante o regime
militar (1964-1085), tudo isso se dilui e não encontra espaço nem
possibilidade de ser materializado em um ambiente democrático.
O atual governo tem o leme da nave nas mãos; a oposição, demo-
craticamente, tem sua importante função reguladora e crítica a ser
exercida; e o cidadão, que votou numa das duas forças políticas,
no segundo turno; têm o dever de descer do palanque e exercer seu
protagonismo, substituindo o ódio ao oponente pela razão crítica,
consciente de que estamos todos no mesmo barco.
Ideologia política, história e democracia
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