Pedras e Demônios pd53 | Page 171

Apesar da excepcional modernização da agricultura nos cerrados nordestinos e nos polos de irrigação, a produtividade da agropecuá- ria do Nordeste, em 2008 (Mateo, 2013), era quase um terço da regis- trada na região Sudeste, e menos da metade da média brasileira. Esta fragilidade do Nordeste diante da concorrência nacional e internacional tende, contudo, a se agravar no futuro, por conta da onda de inovação que acompanha a irradiação da Indústria 4.0, que acelera a produtividade e eleva, de forma significativa, as exi- gências de qualificação profissional dos trabalhadores. O Nordeste, com baixo nível de qualificação profissional e educacional, está completamente despreparado para as mudanças que vão acompa- nhar o novo paradigma tecnológico nas próximas décadas. O Nor- deste precisa se preparar também para a provável abertura externa da economia brasileira, com o aumento da exposição das empresas nordestinas à concorrência internacional. O que, mais uma vez, depende da elevação da competitividade da economia e da produti- vidade das empresas. 3. Nordeste competitivo Se o principal desafio do Nordeste reside na defasagem da com- petitividade sistêmica, complementada pela baixa produtividade das empresas, a estratégia de desenvolvimento do Nordeste deve ter como grande prioridade o investimento em larga escala nos fato- res de competitividade: i) educação; ii) qualificação técnica e pro- fissional; iii) inovação; iv) infraestrutura, incluindo infraestrutura hídrica. Esta estratégia pressupõe um investimento diferenciado da União na região nordestina, complementando o esforço dos gover- nos estaduais, para avançar nos fatores de competitividade num ritmo e numa escala superior à média nacional e dos estados mais desenvolvidos. Os avanços na qualificação técnica e profissional e na inovação contribuem também para o aumento da produtividade das empresas do Nordeste, desde que induzidas à introdução de novas tecnologias. A manutenção de incentivos fiscais e financeiros compensa a defa- sagem, com efeito positivo no curto prazo. Mas, no médio e longo prazo, tende a conservar a dependência, na medida em que acomoda o empresariado à sua situação e aos benefícios, inibindo o esforço empreendedor e inovador que aumenta a produtividade empresarial. Ao longo das próximas décadas, a principal meta de desenvol- vimento do Nordeste deve ser a convergência regional dos níveis de competitividade e da produtividade (do Nordeste em relação às O Nordeste mudou, mas continua no mesmo lugar 169