Apesar da excepcional modernização da agricultura nos cerrados
nordestinos e nos polos de irrigação, a produtividade da agropecuá-
ria do Nordeste, em 2008 (Mateo, 2013), era quase um terço da regis-
trada na região Sudeste, e menos da metade da média brasileira.
Esta fragilidade do Nordeste diante da concorrência nacional e
internacional tende, contudo, a se agravar no futuro, por conta da
onda de inovação que acompanha a irradiação da Indústria 4.0,
que acelera a produtividade e eleva, de forma significativa, as exi-
gências de qualificação profissional dos trabalhadores. O Nordeste,
com baixo nível de qualificação profissional e educacional, está
completamente despreparado para as mudanças que vão acompa-
nhar o novo paradigma tecnológico nas próximas décadas. O Nor-
deste precisa se preparar também para a provável abertura externa
da economia brasileira, com o aumento da exposição das empresas
nordestinas à concorrência internacional. O que, mais uma vez,
depende da elevação da competitividade da economia e da produti-
vidade das empresas.
3. Nordeste competitivo
Se o principal desafio do Nordeste reside na defasagem da com-
petitividade sistêmica, complementada pela baixa produtividade
das empresas, a estratégia de desenvolvimento do Nordeste deve
ter como grande prioridade o investimento em larga escala nos fato-
res de competitividade: i) educação; ii) qualificação técnica e pro-
fissional; iii) inovação; iv) infraestrutura, incluindo infraestrutura
hídrica. Esta estratégia pressupõe um investimento diferenciado da
União na região nordestina, complementando o esforço dos gover-
nos estaduais, para avançar nos fatores de competitividade num
ritmo e numa escala superior à média nacional e dos estados mais
desenvolvidos.
Os avanços na qualificação técnica e profissional e na inovação
contribuem também para o aumento da produtividade das empresas
do Nordeste, desde que induzidas à introdução de novas tecnologias.
A manutenção de incentivos fiscais e financeiros compensa a defa-
sagem, com efeito positivo no curto prazo. Mas, no médio e longo
prazo, tende a conservar a dependência, na medida em que acomoda
o empresariado à sua situação e aos benefícios, inibindo o esforço
empreendedor e inovador que aumenta a produtividade empresarial.
Ao longo das próximas décadas, a principal meta de desenvol-
vimento do Nordeste deve ser a convergência regional dos níveis
de competitividade e da produtividade (do Nordeste em relação às
O Nordeste mudou, mas continua no mesmo lugar
169