Pedras e Demônios pd53 | Page 170

está em situação inferior à das regiões mais desenvolvidas, especial- mente na massa crítica de pesquisadores. A região Sudeste tem mais do dobro dos pesquisadores do Nordeste (45% contra 20% do número total de pesquisadores do Brasil) e apenas o estado de São Paulo, com 32.578 pesquisadores (2008), tem mais que toda a região Nordeste (28.273). Cerca de 70% dos doutores do Brasil estavam no Sudeste contra apenas 10% no Nordeste, e apenas o estado de São Paulo tinha quatro vezes mais doutores que todo o Nordeste (4.811 contra apenas 1.035). O Nordeste também tem desvantagem na infraestrutura, espe- cialmente no transporte rodoviário; de acordo com dados da CNT para 2017, cerca de 50,2% das rodovias do Nordeste tinham qualidade pés- sima ou ruim, apenas 2% se classificavam com ótimas. O Sudeste tinha 11,3% das suas rodovias na categoria de ótimas. O segundo grande desafio do Nordeste é a baixa produtivi- dade das empresas. Com limitações competitivas externas e baixa produtividade, as empresas nordestinas têm grande dificuldade de concorrência com outras regiões do Brasil, para não falar das restrições ao mercado global. Vale a pena lembrar que, no GTDN, Celso Furtado alertava para a gravidade do diferencial de produti- vidade das empresas nordestinas; segundo ele, em 1956, a renda gerada por pessoa ocupada no Centro-Sul era 2,5 vezes superior à alcançada no Nordeste. Em 2015, a produtividade do trabalho do Nordeste (VAB-Valor Agregado Bruto/pessoal ocupado) era a mais baixa das macrorregiões do Brasil, e correspondia a menos da metade da produtividade do Sudeste (ver gráfico 2). Gráfico 2 – Produtividade total das macrorregiões do Brasil (VAB/pessoal ocupado) das regiões – R$ mil – 2015 Fonte: IBGE/RAIS 168 Sérgio C. Buarque