4. A manipulação digital
A conta no Twitter de Donald Trump é uma das suas armas
políticas mais poderosas. Chris Wylie, ex-diretor de pesquisa da
empresa Cambridge Analytica, depôs perante o Parlamento britâ-
nico que a empresa usou as mídias sociais para influenciar o resul-
tado do referendo em favor do Brexit.
“Alô Presidente”, o programa dominical estrelado por Chávez,
tornou-se um instrumento fundamental de propaganda, mobiliza-
ção política e manipulação da opinião pública. E tem continuidade
com Nicolás Maduro, que não goza da popularidade do seu grande
líder e se mantém graças a um regime ditatorial.
Todos os políticos, em todos os lugares e sempre, usaram os
meios de comunicação social para obter e manter o poder. Poucos
fizeram isso com a habilidade, a audácia e a sofisticação tecnoló-
gica de Trump, Chávez e dos defensores do Brexit.
5. A intervenção estrangeira secreta
As agências de inteligência dos Estados Unidos e o procura-
dor especial Robert Mueller concluíram que o governo russo clan-
destinamente influenciou nas eleições dos EUA, em 2016. Antes
do referendo sobre o Brexit, mais de 150 mil contas no Twitter
em russo enviaram dezenas de milhares de mensagens em inglês,
incitando os britânicos a deixar a União Europeia. A influência de
Cuba na Venezuela foi mantida em segredo, mas hoje é uma reali-
dade amplamente reconhecida.
6. O nacionalismo
As promessas de autodeterminação e revanche contra os maus
tratos recebidos por outros países foram decisivas para o sucesso
eleitoral de Chávez, Trump e Brexit. Nos três casos, as denúncias
contra a globalização, o comércio internacional e os “países que se
aproveitam de nós” renderam dividendos políticos. A hostilidade de
Chávez e de Maduro contra os EUA e a de Trump e dos defensores
do Brexit contra os imigrantes também foram determinantes.
Estes seis fatores ilustram o tipo de toxinas que estão afetando
a política de muitos países. Em alguns deles surgiram anticorpos
que resistem a elas. O resultado desse choque entre toxinas e anti-
corpos políticos moldará o mundo que teremos.
Seis toxinas políticas que mudarão o mundo
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