1. A antipolítica
Os três são manifestações concretas da rejeição aos “políticos de
sempre” e da presunção de que os governantes tradicionais usam
a política para seu benefício pessoal e não visando o bem comum.
Aqueles que votaram a favor do Brexit, de Trump e de Chávez sen-
tiram que apenas expulsando aqueles que governavam melhoraria
sua situação pessoal – ou pelo menos aquilo serviria para ensinar
uma boa lição aos poderosos. “Que se vão todos” e “nada pode ser
pior do que o existente” são seus slogans.
2. Partidos fracos
Nestes três exemplos, os resultados inesperados das consultas
eleitorais foram possíveis graças à fraqueza dos partidos políticos
tradicionais. Os dois grandes partidos britânicos – o Trabalhista e
o Conservador – estavam divididos internamente, e isso os impediu
de confrontar com eficácia aqueles que promoveram o Brexit.
O mesmo aconteceu com o Partido Republicano dos EUA, cuja
fragmentação tornou possível que um político iniciante como Trump
se tornasse seu candidato à presidência. E também na Venezuela,
onde os dois grandes partidos históricos entraram em colapso, dei-
xando a porta aberta para Chávez e, em seguida, para Maduro.
3. A popularidade das mentiras
Quase imediatamente após sua vitória no referendo sobre o
Brexit, soube-se que os seus promotores haviam mentido, exage-
rado nos benefícios que o Reino Unido teria ao sair da União Euro-
peia e minimizaram os custos e as dificuldades que essa decisão
teria para os britânicos.
Em seu primeiro ano como presidente, Donald Trump disse,
em média, cerca de seis mentiras ou alegações enganosas todos
os dias, de acordo com as contas do jornal Washington Post. No
segundo ano, a média subiu para mais de 16 por dia e até agora,
em 2019, chega a 22 mentiras diárias. O presidente estadunidense
tornou normal a mentira.
O mesmo é verdadeiro no caso de Chávez, de quem há um
enorme estoque de vídeos e gravações, fáceis de encontrar na inter-
net, nos quais o líder venezuelano mente e é seguido rigorosamente
por seu sucessor.
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Moisés Naím