Seis meses depois
Marco Aurélio Nogueira
U
m semestre depois de iniciado, o governo Bolsonaro exibe
uma única realização clara: a queda nos índices de aprova-
ção, que chegaram aos 32%.
Em parte é compreensível. Governos que nascem de rupturas
tendem a demorar mais tempo para engrenar. Experimentam segui-
damente, acham que podem explorar às cegas novos caminhos,
precisam aprender a fazer costuras complicadas em um material
que não dominam. Tendem a agregar pessoas jejunas em política e
administração, muitas delas ressentidas e com desejo de vingança.
Bolsonaro levou tudo isso ao paroxismo. Sua equipe foi com-
posta de modo aleatório, a partir do que encontrou pelo caminho,
sem maior critério técnico ou político, exceção feita a alguns pou-
cos. Nasceu e evoluiu sem lideranças, o que prejudicou tanto a for-
matação de propostas e programas de governo quanto a articulação
parlamentar e o diálogo com a sociedade.
Pessoas desprovidas de talento, de vocação e de uma rota segura
compuseram um ministério fadado a girar em falso, movido pela
ilusória melodia da guerra ideológica. O governo acreditou que, não
sabendo o que oferecer de concreto à sociedade, ela se satisfaria
com ataques apopléticos à esquerda, ao globalismo e às políticas
identitárias, em nome de Deus, da moral e dos bons costumes. Não
funcionou.
Seis meses depois
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