Pedras e Demônios pd53 | Page 148

Assistência Social: dilemas e desafios Denise Paiva I mpostergável se faz uma ruptura com a visão de que a assistên- cia social é uma política residual, compensatória, subjugada aos interesses da política econômica ou apenas uma manifestação do compromisso ético fragmentado de alguns setores da sociedade expressa no âmbito da filantropia ou da responsabilidade social do mundo empresarial. É muito mais que isso! Não pelas razões e motivações corporativas, mas por um impe- rativo da realidade. Realidade que vem pautando a massa crítica dos atores da assistência social (em especial os profissionais de Serviço Social no mundo acadêmico ou da gestão pública) com muita ênfase desde o início dos anos 1990, forjando conteúdos que derivaram na Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS) em 1994. São Paulo foi, sem dúvida, o palco privilegiado para a estrutu- ração de uma visão inovadora e mais condizente com as exigências, repito, da realidade. Aliança estratégica e vínculos ideológicos entre a PUC/São Paulo e a Secretaria de Bem-Estar Social do Municí- pio de São Paulo criaram espaços e condições fertilizantes para a materialização do desejo de construção de uma nova prática e nova mentalidade no campo da assistência social. A base desse pensamento explicitado num seminário realizado na prefeitura, entre 3 e 4 de julho de 1991, e consubstanciado num documento “Declaração de São Paulo”, revela e rechaça a histori- cidade da Assistência Social com ações de caráter emergencial e paliativo, desarticuladas de uma Política Social mais ampla. Ações essas ao sabor da dimensão das crises econômicas e das estraté- gias para dividendos políticos na prática do clientelismo. A importância do protagonismo dos profissionais na construção de uma nova política materializada na futura e próxima LOAS, afirma-se ainda mais pelo fato dos usuários carecerem de grau de consciência, mobilização e organização para lutar pelos direitos sociais e políticos. A política de assistência social desvinculada das políticas sociais faz perpetuar sua natureza pontual e emergencial, em vez de estar 146 Denise Paiva