Pedras e Demônios pd53 | Page 145

Estas ideias clássicas chegaram ao seu ponto mais avançado com a filosofia clássica alemã (Kant, Hegel e Feuerbach); a econo- mia política inglesa (A. Smith e Ricardo); e o pensamento político de Maquiavel, Locke, Montesquieu, os teóricos da Revolução Francesa e os da Americana, o socialismo de Saint-Simon e Fourrier. Marx e sua filosofia da práxis entrou em cena com a tentativa de resolver os problemas mais avançados da humanidade. Surgia como a continuação direta e imediata dos maiores representantes da filosofia, da economia política e do socialismo. Procurava dar aos homens uma concepção unitária do mundo, que não poderia conci- liar com nenhuma superstição. Apresentava-se como o sucessor de tudo aquilo que o gênero humano criou de melhor no século XIX. É conhecida sua tese inicial: “os filósofos se limitaram a interpretar o mundo de diferentes maneiras; o que importa é transformá-lo”. Já no século XX, Gramsci, em um balanço severo, afirmou que a filosofia da práxis tinha duas tarefas: a) superar o pensamento moderno em suas formas mais refinadas; b) persuadir o senso comum, cuja cultura era medieval. Esta segunda função absor- veu todo o esforço tanto quantitativo quanto qualitativo. Por várias razões, essa persuasão se confundiu com uma forma de cultura, um pouco superior à mentalidade do senso comum, incapaz por- tanto de superar a mais alta manifestação cultural do seu tempo. Já outro italiano pôs o dedo na ferida. Nos idos de 1970, Berlinguer, então secretário-geral do Partido Comunista Italiano, afirmava, em Moscou: “a democracia é um valor permanente e universal”. O resultado da história é por demais conhecido. No período mais recente, final do século novecentos e início do vinte, com novos cenários, projetaram-se novos pensamentos que se poderia resumir assim: a) o pensamento antropológico e socioló- gico da Igreja pós-conciliar; b) as ideias integradoras das principais social-democracias europeias; c) o ecossocialismo; d) as tradições da não violência; e) a constituição e desenvolvimento do gênero humano inspirado na diferença sexual; f) as ideias de progresso fundadas na consciência do limite; g) o conceito de desenvolvi- mento sustentável e outros. Todos eles, de uma forma ou de outra, deixaram para nós uma rica experiência para se analisar as conjunturas e as relações de forças. Isto é, como devemos estabelecer os diferentes graus de relações de forças e se prestar para uma exposição elementar sobre ciência e arte políticas. Em outras palavras, pensar como um con- junto de normas práticas de pesquisas e observações singulares, Um olhar no pensar e no agir 143