Estas ideias clássicas chegaram ao seu ponto mais avançado
com a filosofia clássica alemã (Kant, Hegel e Feuerbach); a econo-
mia política inglesa (A. Smith e Ricardo); e o pensamento político de
Maquiavel, Locke, Montesquieu, os teóricos da Revolução Francesa
e os da Americana, o socialismo de Saint-Simon e Fourrier.
Marx e sua filosofia da práxis entrou em cena com a tentativa
de resolver os problemas mais avançados da humanidade. Surgia
como a continuação direta e imediata dos maiores representantes
da filosofia, da economia política e do socialismo. Procurava dar aos
homens uma concepção unitária do mundo, que não poderia conci-
liar com nenhuma superstição. Apresentava-se como o sucessor de
tudo aquilo que o gênero humano criou de melhor no século XIX. É
conhecida sua tese inicial: “os filósofos se limitaram a interpretar
o mundo de diferentes maneiras; o que importa é transformá-lo”.
Já no século XX, Gramsci, em um balanço severo, afirmou que
a filosofia da práxis tinha duas tarefas: a) superar o pensamento
moderno em suas formas mais refinadas; b) persuadir o senso
comum, cuja cultura era medieval. Esta segunda função absor-
veu todo o esforço tanto quantitativo quanto qualitativo. Por várias
razões, essa persuasão se confundiu com uma forma de cultura,
um pouco superior à mentalidade do senso comum, incapaz por-
tanto de superar a mais alta manifestação cultural do seu tempo.
Já outro italiano pôs o dedo na ferida. Nos idos de 1970, Berlinguer,
então secretário-geral do Partido Comunista Italiano, afirmava,
em Moscou: “a democracia é um valor permanente e universal”. O
resultado da história é por demais conhecido.
No período mais recente, final do século novecentos e início do
vinte, com novos cenários, projetaram-se novos pensamentos que
se poderia resumir assim: a) o pensamento antropológico e socioló-
gico da Igreja pós-conciliar; b) as ideias integradoras das principais
social-democracias europeias; c) o ecossocialismo; d) as tradições
da não violência; e) a constituição e desenvolvimento do gênero
humano inspirado na diferença sexual; f) as ideias de progresso
fundadas na consciência do limite; g) o conceito de desenvolvi-
mento sustentável e outros.
Todos eles, de uma forma ou de outra, deixaram para nós uma
rica experiência para se analisar as conjunturas e as relações de
forças. Isto é, como devemos estabelecer os diferentes graus de
relações de forças e se prestar para uma exposição elementar sobre
ciência e arte políticas. Em outras palavras, pensar como um con-
junto de normas práticas de pesquisas e observações singulares,
Um olhar no pensar e no agir
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