Pedras e Demônios pd53 | Page 144

Um olhar no pensar e no agir Gilvan Cavalcanti P enso que uma revisita às ideias dos pensadores clássicos do passado ajudaria a pensar o novo mundo e o Brasil, em sua interconexão digital, fenômeno mais visível das mudanças contemporâneas, e poderá evitar se pensar e se agir politicamente na tentativa de um retorno ao velho, ao antigo, como se novo fosse. Há um consenso que o mundo material não é estático. Os pensa- dores clássicos, da Grécia antiga, já anunciaram: “tudo flui e nada é permanente, exceto a mudança”. Nos tempos modernos, com o surgimento do capitalismo, outro pensador sentenciou: “tudo que é sólido desmancha no ar”. O movimento da história já comprovou esta tendência. É incessante e permanente a mudança, inclusive na ciência e na tecnologia. No pensamento e no agir político, ocorre o mesmo processo contínuo de mudança, de conflito, de interde- pendência globalista, ou como outros preferem, cosmopolita. É o instante de pensar o nosso compromisso com o país. Isto sugere tentar desvendar esta complexa sociedade brasileira. Acre- dito que devemos partir dos elementos embrionários que definem nosso processo de afirmação do capitalismo brasileiro, seu êxito nes- ses longos anos de profundas modificações moleculares ocorridas. Entender este caminho facilitaria muito o nosso caminhar futuro. E só a democracia política é o porto seguro para um pensamento reformista. O caminho mais real é debruçar-nos sobre a conjuntura. Como fazê-lo? Os clássicos da política já nos forneceram algu- mas sugestões, pelo menos metodológicas, para se analisar e fazer previsões e perspectivas. Posso lembrar algumas: Sócrates, na antiga Grécia, nos falava de persuasão, como arte política do dis- curso, dirigida à multidão; Maquiavel nos ensinou as relações da política com sua conexão de Virtú e Fortuna; Hegel nos advertiu que a cidadania tinha um conhecimento defeituoso; Montesquieu nos ensinou que o senso comum dobrava-se aos pensamentos e impressões de outrem; Tocqueville nos legou a relação circuns- tância e providência; Marx nos deixou as análises das relações entre estrutura e superestrutura; Lênin utilizava-se de estratégia e tática; Gramsci diferenciava o permanente e o eventual, o orgânico e o ocasional. 142 Gilvan Cavalcanti