Pedras e Demônios pd53 | Page 12

agrotóxicos, ao dar facilitações no código de trânsito, ao combater reservas ambientais e terras indígenas. Outro aspecto importante e deveras preocupante é o que se refere à política externa brasileira sob o comando do embaixador Ernesto Araújo, o qual tem assumido um comportamento inteira- mente alheio ao do Itamaraty, que sempre foi de independência, de abertura e de diálogo. Suas declarações têm sido de condena- ção ao “globalismo” em nome de uma “Pátria soberana”, baixando a cabeça para países poderosos (como os EUA), hoje comandado por uma cabeça fora de órbita, e deixando de lado a construção de um sistema internacional mais cooperativo e sustentável, livre de muros e barreiras ideológicas. Registre-se o absurdo que foi o presidente Bolsonaro, logo no início do seu mandato, ter prome- tido transferir a embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém, cidade historicamente disputada por judeus e palestinos, malu- quice que efetivamente não ocorreu. Este tempo sombrio em que estamos mergulhados é reve- lado, sob seus vários ângulos, pelos autores de ensaios e artigos que compõem algumas das principais seções desta 53ª edição da nossa querida revista, que completará seu 19º ano de existên- cia em dezembro próximo. Dentre os comentaristas destacam-se Luiz Werneck Vianna, Marco Aurélio Nogueira, Daniel Aarão Reis, José Antonio Segatto, Sergio Augusto de Morais e Paulo Cesar Nascimento. No mais, há outros instigantes trabalhos nas outras seções, como no que diz respeito à competitividade nos casos do agrone- gócio e da indústria manufatureira, de Amilcar Baiardi; à crise da macroeconomia, de André Lara Resende; ao enfrentamento da mobilidade urbana, de Mauricio Costa Romão; Assistência social: dilemas e desafios, de Denise Paiva; ao Nordeste, que mudou mas continua no mesmo lugar, de Sergio Buarque; ao caminho democrático para a democracia, de Raimundo Santos; e muitos mais. Boa leitura e um abraço fraterno! Os Editores