Editorial
O
Brasil está vivenciando uma situação política das mais deli-
cadas e cujos desdobramentos não são fáceis de serem pre-
vistos. Já se passaram seis meses do Governo Bolsonaro
e evidentemente os brasileiros enfrentam uma realidade inédita,
dominada por surpresas diárias, oriundas do presidente da Repú-
blica, de seus filhos, de seus ministros e de variados assessores,
sem falar na presença exorbitante do “filósofo” Olavo de Carvalho.
Desde janeiro que se espera a apresentação pelo governo e sua
equipe de um plano para não apenas retirar o país da crise econômi-
co-financeira em que foi colocado, notadamente após o segundo man-
dato da presidente Dilma, em 2014, quando o número de desempre-
gados ultrapassou a casa dos 13 milhões, mas também para reduzir
a gigantesca máquina estatal e oferecer melhores serviços públicos,
particularmente na educação, na saúde e na segurança.
É inacreditável assistir-se a comportamentos políticos oriundos
de concepções e práticas ideológicas de meados do século passado,
como a de colocar o nosso país subordinado aos Estados Unidos,
nos planos econômico e político; o de retomar o caminho do patrio-
tismo, como a forma de evitar que participemos do processo de
globalização em que a sociedade humana está se envolvendo; de
tentar militarizar as escolas públicas, sejam primárias, secundá-
rias ou universitárias, sob o pretexto de retirá-las do domínio da
esquerda ou do comunismo; o de dar novo conteúdo à propaganda
junto aos brasileiros para torná-los cristãos ativos e de intransigên-
cia na defesa de posturas equivocadas como serem contra o aborto
de mulheres, serem racistas, condenarem as pessoas LGTB etc.
Tão grave quanto é se constatar a ausência, por parte do Presi-
dente, de consciência do papel de chefe do Executivo numa socie-
dade democrática, no seu relacionamento com os demais poderes,
particularmente com o Legislativo, sobretudo se considerando
que ele cumpriu sete mandatos consecutivos de deputado federal
durante 28 anos. Daí se ter assistido, no primeiro semestre, ao
Presidente atropelar o Congresso ao apresentar decretos sobre a
utilização de armas de fogo, ao pôr fim de vários e importantes
conselhos coletivos em órgãos públicos, ao consentir a liberação de