Pedras e Demônios pd53 | Page 11

Editorial O Brasil está vivenciando uma situação política das mais deli- cadas e cujos desdobramentos não são fáceis de serem pre- vistos. Já se passaram seis meses do Governo Bolsonaro e evidentemente os brasileiros enfrentam uma realidade inédita, dominada por surpresas diárias, oriundas do presidente da Repú- blica, de seus filhos, de seus ministros e de variados assessores, sem falar na presença exorbitante do “filósofo” Olavo de Carvalho. Desde janeiro que se espera a apresentação pelo governo e sua equipe de um plano para não apenas retirar o país da crise econômi- co-financeira em que foi colocado, notadamente após o segundo man- dato da presidente Dilma, em 2014, quando o número de desempre- gados ultrapassou a casa dos 13 milhões, mas também para reduzir a gigantesca máquina estatal e oferecer melhores serviços públicos, particularmente na educação, na saúde e na segurança. É inacreditável assistir-se a comportamentos políticos oriundos de concepções e práticas ideológicas de meados do século passado, como a de colocar o nosso país subordinado aos Estados Unidos, nos planos econômico e político; o de retomar o caminho do patrio- tismo, como a forma de evitar que participemos do processo de globalização em que a sociedade humana está se envolvendo; de tentar militarizar as escolas públicas, sejam primárias, secundá- rias ou universitárias, sob o pretexto de retirá-las do domínio da esquerda ou do comunismo; o de dar novo conteúdo à propaganda junto aos brasileiros para torná-los cristãos ativos e de intransigên- cia na defesa de posturas equivocadas como serem contra o aborto de mulheres, serem racistas, condenarem as pessoas LGTB etc. Tão grave quanto é se constatar a ausência, por parte do Presi- dente, de consciência do papel de chefe do Executivo numa socie- dade democrática, no seu relacionamento com os demais poderes, particularmente com o Legislativo, sobretudo se considerando que ele cumpriu sete mandatos consecutivos de deputado federal durante 28 anos. Daí se ter assistido, no primeiro semestre, ao Presidente atropelar o Congresso ao apresentar decretos sobre a utilização de armas de fogo, ao pôr fim de vários e importantes conselhos coletivos em órgãos públicos, ao consentir a liberação de