tomada de decisão democrática. A perda do discurso controvertido
intra e interpartidário vem frequentemente associada a esta dificul-
dade. Assim, há uma diminuição da força representativa dos parti-
dos políticos e da sua capacidade de acolher convicções e interes-
ses de diversas classes, grupos e meios sociais para concentrá-las
em propostas norteadoras.
As razões da falta de distinguibilidade, discursividade e repre-
sentatividade podem ser encontradas nos próprios partidos; mas
pesam mais as mudanças sociais profundas que estão ocorrendo,
tais como: a perda de competência das democracias nacionais no
processo de europeização e globalização; a perda de ideias de uma
constelação (supostamente) pós-ideológica; uma visão da política
como sendo uma profissão por toda a vida; a retração à esfera pri-
vada em reação às exigências de um novo mundo do trabalho; uma
sociedade midiática em aceleração extrema e, não por último, uma
divisão social que reflete o fosso democrático.
Tão mais preocupante é o fato de não haver um debate público
sobre o futuro da democracia partidária. Ao contrário, no lugar
de uma crítica construtiva visando à reforma, cresce o ressenti-
mento contra os partidos políticos, inclusive no centro da socie-
dade. Mesmo os intelectuais não são imunes a estes sentimentos.
Em vez de intervenção crítica, presenciamos desprezo, retrocesso
populista, por vezes alienação agressiva, e esta atitude até rende
aplausos na roda do botequim ou entre colegas de cafezinho.
Advertimos aqueles que julgam que esta frustração agres-
siva em relação aos partidos políticos é um fenômeno novo, que o
menosprezo aos partidos e seus “negócios escusos” tem uma tradi-
ção antidemocrática longa. Na verdade, já nasceu com os partidos
políticos. Por um lado, temos o anseio autoritário por uma instân-
cia imparcial e objetiva que resolve os assuntos políticos sem dis-
puta democrática e participação dos cidadãos. Por outro, estamos
diante de um populismo do imediatismo político que faz oposição
às instituições da representação democrática, as quais possibilitam
que haja uma prática democrática não autoritária no espaço e no
tempo. O desencanto com os partidos e os políticos passa nova-
mente a ser um tema não apenas da maioria queixosa, mas tam-
bém de muitos críticos que se dizem progressistas.
Presume-se, via de regra, que a alienação política se deve pri-
mordialmente a problemas de comunicação e, portanto, bastaria
outro discurso para despertar o eleitorado e os membros do par-
tido. Efetivamente, a única saída passa por uma autoafirmação da
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Peter Siller