Paradidático - O Outro em Mim Paradidático - O Outro em Mim | Page 48
- Temos que fazer algo. - disse quase entrando na casa.
- Não! - disse ela assustada. Há outros como ele na casa ao lado. Vão
matar você. - Nessa hora Amayal se lembrou de seu irmão. Não
poderia fazer nem uma besteira, Yolotzin dependia dele.
-
Me mate! - disse a moça em prantos. - Se não pode matá-lo então
mate a mim. Prefiro o inferno ao que esse homem faz comigo.
Ele a abraçou e secou suas lágrimas. Então se lembrou de algo, olhou
para os lados e de debaixo da túnica tirou sua faca escondida.
-
Use isso quando ele estiver dormindo. - a jovem olhou assustada e
em um movimento rápido escondeu a faca em sua roupa.
-
Obrigada. - disse sorrindo.
Com uma expressão triste ele pegou os vasos do chão pois viu espanhóis
por perto, disfarçou como se nada tivesse acontecido e continuou
andando. Talvez em outros tempos ele tivesse conhecido ela, lhe dado
um girassol como fez Lorenzo, e quem sabe ela até seria sua esposa. Mas
era tarde demais para isso.
Os espanhóis comeram toda a comida da vila, espalharam doenças,
tomaram as casas dos moradores, destruíram suas plantações e
estupraram suas mulheres. Mesmo sem matá-los, os astecas já estavam
mortos.