Os melhores artigos publicados de Zulemay Ramos em 2017 ARTIGOS PUBLICADOS EM 2017 - ZULEMAY RAMOS 1 | Page 5
multiplica a capacidade de comunicação, envolvendo palavras, sons e
imagens. Textos verbais e não-verbais interagem e contribuem para a
representação oral e escrita das sociedades.
A língua é um código desenvolvido para a transmissão de pensamentos,
ideias e interação entre os indivíduos. Dessa forma, a língua pertence a
todos os membros de uma comunidade e a nenhum deles isoladamente.
Assim, como a língua é um código aceito, convencionalmente, por toda uma
comunidade, um único indivíduo não é capaz de criá-la ou modificá-la. Em
razão dos costumes, das gerações, de processos políticos, dos avanços
sociais e tecnológicos, uma língua evolui, transformando-se
historicamente. Por exemplo, algumas palavras perdem ou ganham
fonemas, outras deixam de ser utilizadas, novas palavras surgem, de
acordo com as necessidades, sem contar os “empréstimos” de outras
línguas com as quais uma dada comunidade mantém contato.
Então, a língua constitui, pois, um código mutável que integra as relações
humanas e que, ao mesmo tempo em que sofre modificações, participa das
mudanças nas sociedades. Esse patrimônio social é responsável pela
possibilidade de se preservar o conhecimento e de transmiti-lo à outras
gerações no correr do tempo. É por meio da linguagem que as sociedades
perpetuam suas histórias escritas. Sem a linguagem o mundo seria um
imenso vazio.
Observa-se, também, a partir desse ponto de vista, uma relação bem
próxima entre linguagem e cultura. Uma é expressão da outra. Essas duas
entidades possuem uma relação tão ampla e complexa, que abrange desde
a consideração de que as estruturas linguísticas possam se edificar, a partir
de uma situação cultural, até a afirmação, em sentido contrário, de que os
costumes linguísticos, de determinados grupos, tenham moldado,
fundamentalmente, a cultura desses povos. Ou seja, a linguagem modifica
a cultura e essa modifica aquela.
No entanto, sendo o ser humano portador da linguagem, ele não é dela
possuidor, apenas usuário. E, no uso, modifica a língua, mas não a detém
para si como algo seu. Isso acontece porque a língua é um sistema social e
não um sistema individual. Ela preexiste às pessoas. Não se pode, em
qualquer sentido simples, ser autor. Falar uma língua não significa apenas
expressar os pensamentos mais interiores e originais, significa, também,
ativar a imensa gama de significados que já estão embutidos no sistema
cultural de dada comunidade, sociedade.