Como uma biruta muda de direção conforme o vento, o fluxo das conversas tomou um novo rumo: num piscar de olhos, toda a gente a julgava como a mulher mais fria do mundo!
De repente, a empresa parecia formada por uma equipa de psicólogos especializados em relacionamentos de casal, murmurando aos quatro cantos opiniões sobre o acontecido: era tempo insuficiente para o luto, ela devia estar em negação - ou pior: ela não o amava.
Incapazes de considerar que ela pudesse ser grata por estar viva e pelo tempo que passou ao lado de seu companheiro. Factos que puderam ser comprovados por todos, através de suas atitudes, com o passar do tempo.
Por muitas vezes, o quotidiano acelerado oblitera a nossa capacidade de sermos gratos pelos pequenos e bons acontecimentos da vida: o sorriso de um filho, o som das folhas das árvores ao vento ou o cheiro de café na chávena pela manhã.
Avançamos mecanicamente, sem agradecer por estes momentos; por outro lado, agarramo-nos à energia da reclamação quando algo não corre conforme planeamos.
Neste cenário, torna-se muito difícil aceitar a realidade com gratidão em momentos de crise. O ato requer uma grande dose de coragem, necessária para enfrentar o pensamento coletivo que irá julgar a sua insanidade aparente.
Podemos começar com pequenos passos:
desacelerar para focar a atenção naquilo que tem valor nessa vida, agradecer pelas coisas boas e pelas não tão boas, com a certeza de que todas nos oferecem aprendizados, mesmo que o seu significado não esteja claro no início.
Luís Dias
17