Optimismus Optimismus Magazine Setembro 2014 | Page 17

Como uma biruta muda de direção conforme o vento, o fluxo das conversas tomou um novo rumo: num piscar de olhos, toda a gente a julgava como a mulher mais fria do mundo!

De repente, a empresa parecia formada por uma equipa de psicólogos especializados em relacionamentos de casal, murmurando aos quatro cantos opiniões sobre o acontecido: era tempo insuficiente para o luto, ela devia estar em negação - ou pior: ela não o amava.

Incapazes de considerar que ela pudesse ser grata por estar viva e pelo tempo que passou ao lado de seu companheiro. Factos que puderam ser comprovados por todos, através de suas atitudes, com o passar do tempo.

Por muitas vezes, o quotidiano acelerado oblitera a nossa capacidade de sermos gratos pelos pequenos e bons acontecimentos da vida: o sorriso de um filho, o som das folhas das árvores ao vento ou o cheiro de café na chávena pela manhã.

Avançamos mecanicamente, sem agradecer por estes momentos; por outro lado, agarramo-nos à energia da reclamação quando algo não corre conforme planeamos.

Neste cenário, torna-se muito difícil aceitar a realidade com gratidão em momentos de crise. O ato requer uma grande dose de coragem, necessária para enfrentar o pensamento coletivo que irá julgar a sua insanidade aparente.

Podemos começar com pequenos passos:

desacelerar para focar a atenção naquilo que tem valor nessa vida, agradecer pelas coisas boas e pelas não tão boas, com a certeza de que todas nos oferecem aprendizados, mesmo que o seu significado não esteja claro no início.

Luís Dias

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