Optimismus Optimismus Magazine Setembro 2014 | Page 16

Gratidão em tempos difíceis

Há alguns anos, tive a oportunidade de trabalhar num grande grupo empresarial no Brasil, onde pude conviver com um casal ímpar: ambos ocupavam altos cargos gerenciais na organização e já contavam com vários anos de casa quando entrei.

Sina de todos que ocupam a cadeira do gestor, eles eram admirados por alguns e criticados por muitos. Como era suposto de um casal que trabalha na mesma empresa, eles procuravam marcar suas férias juntos – evento que sempre trazia uma pequena confusão na reestruturação temporária de responsabilidades.

Lembro-me nitidamente da véspera de uma dessas férias, onde eles planeavam atravessar uma remota zona de um país da América do Sul - numa road trip de causar inveja a muita gente -, ele transbordava ansiedade: procurava desatar todos os nós, deixar tudo o mais organizado possível durante sua ausência. O que ele e mais ninguém podia imaginar é que esta seria a sua última viagem.

Poucos dias depois de partirem, a notícia chega à empresa: um acidente envolvendo o veículo que conduziam causara sua morte. Ela ficou presa nas ferragens a gritar por socorro durante várias horas. Foi um verdadeiro milagre que alguém tivesse percebido seu chamado naquele sítio remoto. Dois amigos de longa data do trabalho viajaram até o país para prestar suporte com trâmites relativos à remoção do corpo. A empresa estava de luto.

Após um período de absorção do impacto, onde algumas homenagens póstumas foram prestadas, um substituto – um antigo gestor de outra unidade - foi escolhido. Restava a dúvida: ela retornaria? Quando? As especulações circulavam pelos corredores.

Imaginar o seu estado de devastação emocional e o tamanho do sofrimento que passara era assunto principal no horário de almoço. O facto é que ela retornou ao trabalho, muito antes do que todos esperavam.

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