Serenidade
Perguntaram-me há tempos, porque não esqueço, porque não largo e vivo sem esse peso.
Não sei bem...
Só sei que a mágoa parece não ter fim e que se baixar os braços, ela irá engolir-me sem piedade e serei arrastada por ela.
Só sei que já falei, e voltei a falar nela, mas que nada a faz serenar e sinceramente, já nem quero falar mais sobre ela.
Está lá. Ficou instalada. Não é justa. Não pode ser alterada.
Mas suponho que me deixei acreditar, que era a única coisa que me permitia continuar em frente, e que sem isso, seria impossível continuar a viver, porque zangada e revoltada, aprendi a ser determinada.
Aprendi a transformar o medo em acção e sem isso, parece que só existe um espaço vazio, uma forma insustentável de me mover, algo que não conheço, que não ganha forma ao meu olhar.
Suponho que é preciso largar.
Suponho que para isso, é preciso perdoar.
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