Optimismus Optimismus Magazine Julho 2014 | страница 56

Serenidade

Perguntaram-me há tempos, porque não esqueço, porque não largo e vivo sem esse peso.

Não sei bem...

Só sei que a mágoa parece não ter fim e que se baixar os braços, ela irá engolir-me sem piedade e serei arrastada por ela.

Só sei que já falei, e voltei a falar nela, mas que nada a faz serenar e sinceramente, já nem quero falar mais sobre ela.

Está lá. Ficou instalada. Não é justa. Não pode ser alterada.

Mas suponho que me deixei acreditar, que era a única coisa que me permitia continuar em frente, e que sem isso, seria impossível continuar a viver, porque zangada e revoltada, aprendi a ser determinada.

Aprendi a transformar o medo em acção e sem isso, parece que só existe um espaço vazio, uma forma insustentável de me mover, algo que não conheço, que não ganha forma ao meu olhar.

Suponho que é preciso largar.

Suponho que para isso, é preciso perdoar.

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