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‘1989’, um pop eficiente
Q
uando lançou seu último álbum, Red, em
2012, Taylor Swift já dava indícios de que começava a pender mais para o pop do que para
o country, estilo que a colocou no cenário musical em 2006. Hits como We’re Never Getting
Back Together e I Knew You Were Trouble soavam como as principais pistas para uma futura
mudança, que acontece definitivamente agora,
em seu quinto disco de estúdio, 1989. No novo
trabalho, a cantora deixa o violão descansar na
maior parte das faixas e mergulha de vez nas
batidas eletrônicas e refrães pop grudentos,
abusando dos sintetizadores e dos efeitos vocais, além de ter uma forte influência da dance
music dos anos 1980. O resultado é um trabalho
coeso, com letras mais maduras e músicas feitas
para entreter – e vender.
O álbum começa com Welcome t o New York,
terceiro single do disco e música-símbolo da
mudança da cantora – do interior para a cidade,
do country para o pop. A canção, uma parceria
com Ryan Tedder, vocalista e principal compositor do OneRepublic, escancara o fascínio pela
Big Apple, mas traz a promessa de que as suas
raízes ou a sua essência, aquilo que a faz ser conhecida como “a fofa” da música americana, não
serão corrompidas. “As luzes são tão brilhantes
/ Mas nunca me cegam”, diz a letra. Na sonoridade, uma batida retrô no estilo disco dos anos
1970 e 80, a canção traz uma fórmula semelhante à de New Romantics e I Wish You Would, estas
compostas com o seu mais novo amigo de infância, Jack Antonoff, guitarrista da banda Fun.
Ambas, inclusive, apresentam traços comuns
aos do grupo de Antonoff. Mas essa é apenas
uma das novas influências de 1989.
A amizade com a neozelandesa Lorde
(Royals), a maior revelação do pop dos últimos
anos, também transparece no disco. Os melhores exemplos estão em I Know Places, parceria
com Ryan Tedder guiada por uma batida crua,
próxima ao hip hop, e seguida por um refrão explosivo, e Wildest Dreams, parceria com os produtores musicais Shellback e Max Martin.
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Mais calma e obscura, Wildest Dreams conta só
com sintetizador e voz – um vocal mais agudo e
bem trabalhado do que em todo o resto do CD.
O ritmo mais ameno também marca presença
nas baladas românticas Clean, You Are In Love e
This Love. A última, aliás, é a única que remete à
velha Taylor, com um violão dedilhado ao fundo
e uma batida mais próxima ao country. Coincidência ou não, é a única do álbum composta só
por ela.
Mas a nova tendência de Taylor é mesmo o
pop. A melodia chiclete dos versos e dos refrães
e a batida acelerada e dançante de All You Had
to Do Is Stay e How You Get the Girl não deixam
dúvida de que ela vive uma nova fase. Além do
single Shake It Off, que ficou duas semanas consecutivas na primeira posição da Billboard Hot
100, a lista dos singles mais vendidos em uma
semana nos Estados Unidos, e tem grande potencial para se tornar um dos grandes sucessos
de sua carreira. O hit radiofônico traz uma mensagem de autoajuda de fácil adesão para os
adolescentes que a escutam. Versos como “Não
tenho nada no meu cérebro / É o que as pessoas dizem” são acompanhados pelo refrão: “Vou
apenas deixar para lá”.
Taylor pode até ter mudado de estilo, mas
um tema segue em suas composições: a dor
de cotovelo. Em 1989, ela dedica quatro ao integrante do One Direction Harry Styles, muso
inspirador de faixas como Style, trocadilho com
o sobrenome do cantor, e Wonderland, que focam aspectos físicos do músico, como o seu visual à lá James Dean e seus olhos verdes, e são
carregadas de saudade. Há ainda Blank Space,
que trata o cantor como o seu “próximo erro”, e
Out of the Woods, em que cita o mês de dezembro, quando os dois começaram a namorar.
Nessa lavagem de roupa suja, sobra para uma
coleguinha do pop, alfinetada em Bad Blood –
ao que tudo indica, a figura em questão é Katy
Perry, que teria tomado alguns dançarinos de
Taylor. “Você tinha que fazer isso? / Eu pensava
que você podia ser confiável / Você tinha que
arruinar o que era brilhante e agora está enferrujado”, diz a letra.