OpenMind November 2014 | Page 96

capa ‘1989’, um pop eficiente Q ​ uando lançou seu último álbum, Red, em 2012, Taylor Swift já dava indícios de que começava a pender mais para o pop do que para o country, estilo que a colocou no cenário musical em 2006. Hits como We’re Never Getting Back Together e I Knew You Were Trouble soavam como as principais pistas para uma futura mudança, que acontece definitivamente agora, em seu quinto disco de estúdio, 1989. No novo trabalho, a cantora deixa o violão descansar na maior parte das faixas e mergulha de vez nas batidas eletrônicas e refrães pop grudentos, abusando dos sintetizadores e dos efeitos vocais, além de ter uma forte influência da dance music dos anos 1980. O resultado é um trabalho coeso, com letras mais maduras e músicas feitas para entreter – e vender. O álbum começa com Welcome t o New York, terceiro single do disco e música-símbolo da mudança da cantora – do interior para a cidade, do country para o pop. A canção, uma parceria com Ryan Tedder, vocalista e principal compositor do OneRepublic, escancara o fascínio pela Big Apple, mas traz a promessa de que as suas raízes ou a sua essência, aquilo que a faz ser conhecida como “a fofa” da música americana, não serão corrompidas. “As luzes são tão brilhantes / Mas nunca me cegam”, diz a letra. Na sonoridade, uma batida retrô no estilo disco dos anos 1970 e 80, a canção traz uma fórmula semelhante à de New Romantics e I Wish You Would, estas compostas com o seu mais novo amigo de infância, Jack Antonoff, guitarrista da banda Fun. Ambas, inclusive, apresentam traços comuns aos do grupo de Antonoff. Mas essa é apenas uma das novas influências de 1989. A amizade com a neozelandesa Lorde (Royals), a maior revelação do pop dos últimos anos, também transparece no disco. Os melhores exemplos estão em I Know Places, parceria com Ryan Tedder guiada por uma batida crua, próxima ao hip hop, e seguida por um refrão explosivo, e Wildest Dreams, parceria com os produtores musicais Shellback e Max Martin. 96 Mais calma e obscura, Wildest Dreams conta só com sintetizador e voz – um vocal mais agudo e bem trabalhado do que em todo o resto do CD. O ritmo mais ameno também marca presença nas baladas românticas Clean, You Are In Love e This Love. A última, aliás, é a única que remete à velha Taylor, com um violão dedilhado ao fundo e uma batida mais próxima ao country. Coincidência ou não, é a única do álbum composta só por ela. Mas a nova tendência de Taylor é mesmo o pop. A melodia chiclete dos versos e dos refrães e a batida acelerada e dançante de All You Had to Do Is Stay e How You Get the Girl não deixam dúvida de que ela vive uma nova fase. Além do single Shake It Off, que ficou duas semanas consecutivas na primeira posição da Billboard Hot 100, a lista dos singles mais vendidos em uma semana nos Estados Unidos, e tem grande potencial para se tornar um dos grandes sucessos de sua carreira. O hit radiofônico traz uma mensagem de autoajuda de fácil adesão para os adolescentes que a escutam. Versos como “Não tenho nada no meu cérebro / É o que as pessoas dizem” são acompanhados pelo refrão: “Vou apenas deixar para lá”. Taylor pode até ter mudado de estilo, mas um tema segue em suas composições: a dor de cotovelo. Em 1989, ela dedica quatro ao integrante do One Direction Harry Styles, muso inspirador de faixas como Style, trocadilho com o sobrenome do cantor, e Wonderland, que focam aspectos físicos do músico, como o seu visual à lá James Dean e seus olhos verdes, e são carregadas de saudade. Há ainda Blank Space, que trata o cantor como o seu “próximo erro”, e Out of the Woods, em que cita o mês de dezembro, quando os dois começaram a namorar. Nessa lavagem de roupa suja, sobra para uma coleguinha do pop, alfinetada em Bad Blood – ao que tudo indica, a figura em questão é Katy Perry, que teria tomado alguns dançarinos de Taylor. “Você tinha que fazer isso? / Eu pensava que você podia ser confiável / Você tinha que arruinar o que era brilhante e agora está enferrujado”, diz a letra.