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O penteado caipira podia mesmo ser uma
tática comercial. Apesar de ter se apaixonado
pelo country, estilo forte no Sul dos EUA, Taylor
não é uma caipira de raiz, por assim dizer. Natural da Pensilvânia, ela só se mudou para Nashville, a capital de Tennessee e da country music,
aos 14 anos. A partir daí, adotou a cidade como
sua, “sem nem pensar duas vezes”, como disse
em entrevista à revista Time. E de fato tem endereço próprio lá, onde os pais moram em uma
mansão presentada por ela: a cobertura de um
prédio comprada por 2 milhões de dólares em
2009, segundo a Forbes. Mas Taylor também
tem outros três endereços para chamar de seus:
uma casa em Los Angeles, um apartamento em
Londres e outro em Nova York, para onde se
mudou em março.
Selo de qualidade — Orientações comerciais
à parte, é fato que a renovação sonora de Taylor
é acompanhada por uma transformação pessoal. Em entrevista à revista americana Rolling
Stone, a cantora afirmou que o novo álbum não
é tão centrado em garotos como os outros porque eles não são mais prioridade em sua vida.
Mais precisamente, desde que o namoro com
Harry Styles, do One Direction, adernou, em
janeiro de 2013, e que ela travou amizade com
figuras de pendor feminista como a atriz Lena
Dunham, criadora e protagonista da série Girls
(HBO). Seu perfil na rede social Instagram agora
é ocupado por comentários sobre passeios com
as amigas (ela parece se divertir bastante) e por
fotos com suas duas gatas, Meredith e Olivia
(gatas mesmo, com pelos e cauda).
O deslocamento para Nova York, aliás, pode
ser ele também parte de uma estratégia comercial. O que poderia ser mais simbólico, para ilustrar a migração do country para o pop, do que
a troca do interior pela cidade grande? Para corroborar essa imagem, 1989 abre com uma faixa
em que Taylor canta as maravilhas de se viver
em uma metrópole: “Quando deixamos nossas
malas / no chão dos nossos apartamentos / colocamos nossos corações partidos em uma gaveta / todos aqui eram outra pessoa antes / e
podem ser quem elas quiserem”, diz a letra. A
ode à cidade – outro truque do marketing? –
vem acompanhada de um gesto beneficente.
Nesta semana, Taylor anunciou que irá reverter
o lucro obtido com o single para escolas públicas da cidade, notícia tão bem recebida que a
artista se transformou em embaixadora do turismo de Nova York.
E é fato, também, que a mudança não traz
prejuízo à discografia da cantora. As qualidades
musicais que acompanham Taylor há pelo menos oito anos, quando ela se lançou no mundo
da música com um disco que levava o seu nome,
continuam presentes, mas com nova roupagem,
mais animada e dançante. As boas composições
autobiográficas abandonaram o tom choroso e
deprimente, como o de Dear John (“Vejo agora que você se foi / Você não acha que eu era
nova demais para ser machucada?”), faixa do
disco Speak Now escrita para John Mayer, com
quem namorou quando ela tinha 20 anos e, ele,
32. Agora as músicas têm uma pegada leve e
autoconfiante, mesmo quando falam de rompimentos, como All You Had to Do Was Stay (“Deixe-me lembrar que isso era o que você queria /
Você terminou / Você era tudo o que eu queria /
Mas não desse jeito”).
Sempre disposta a aplaudir colegas com elegância, a sorrir e a dar a sua contribuição contra
as mazelas do mundo, ela chegou a ser apontada pela Forbes como a mais caridosa das celebridades por dois anos seguidos, em 2012 e
2013. E as histórias sobre a sua generosidade
não para de surgir. “Em shows, já cheguei a ver
Taylor dar jóias que ela estava usando para pessoas que estavam na plateia, que ficaram em
choque com a atitude”, conta Mark Razz, diretor
musical da rádio country 92.5 XTU, na Filadélfia.
A personalidade impressa por Taylor às músicas, capaz de fazer o público identificar que
uma canção é dela, também não se perdeu. Enquanto entoa versos, ela emana um sentimento
entre o sério e o brincalhão e entre o romance e
o drama. “Taylor passa uma verdade muito grande, esse personagem delicado que ela apresenta parece ser realmente quem ela é.
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