OpenMind November 2014 | Page 95

capa O penteado caipira podia mesmo ser uma tática comercial. Apesar de ter se apaixonado pelo country, estilo forte no Sul dos EUA, Taylor não é uma caipira de raiz, por assim dizer. Natural da Pensilvânia, ela só se mudou para Nashville, a capital de Tennessee e da country music, aos 14 anos. A partir daí, adotou a cidade como sua, “sem nem pensar duas vezes”, como disse em entrevista à revista Time. E de fato tem endereço próprio lá, onde os pais moram em uma mansão presentada por ela: a cobertura de um prédio comprada por 2 milhões de dólares em 2009, segundo a Forbes. Mas Taylor também tem outros três endereços para chamar de seus: uma casa em Los Angeles, um apartamento em Londres e outro em Nova York, para onde se mudou em março. Selo de qualidade — Orientações comerciais à parte, é fato que a renovação sonora de Taylor é acompanhada por uma transformação pessoal. Em entrevista à revista americana Rolling Stone, a cantora afirmou que o novo álbum não é tão centrado em garotos como os outros porque eles não são mais prioridade em sua vida. Mais precisamente, desde que o namoro com Harry Styles, do One Direction, adernou, em janeiro de 2013, e que ela travou amizade com figuras de pendor feminista como a atriz Lena Dunham, criadora e protagonista da série Girls (HBO). Seu perfil na rede social Instagram agora é ocupado por comentários sobre passeios com as amigas (ela parece se divertir bastante) e por fotos com suas duas gatas, Meredith e Olivia (gatas mesmo, com pelos e cauda). O deslocamento para Nova York, aliás, pode ser ele também parte de uma estratégia comercial. O que poderia ser mais simbólico, para ilustrar a migração do country para o pop, do que a troca do interior pela cidade grande? Para corroborar essa imagem, 1989 abre com uma faixa em que Taylor canta as maravilhas de se viver em uma metrópole: “Quando deixamos nossas malas / no chão dos nossos apartamentos / colocamos nossos corações partidos em uma gaveta / todos aqui eram outra pessoa antes / e podem ser quem elas quiserem”, diz a letra. A ode à cidade – outro truque do marketing? – vem acompanhada de um gesto beneficente. Nesta semana, Taylor anunciou que irá reverter o lucro obtido com o single para escolas públicas da cidade, notícia tão bem recebida que a artista se transformou em embaixadora do turismo de Nova York. E é fato, também, que a mudança não traz prejuízo à discografia da cantora. As qualidades musicais que acompanham Taylor há pelo menos oito anos, quando ela se lançou no mundo da música com um disco que levava o seu nome, continuam presentes, mas com nova roupagem, mais animada e dançante. As boas composições autobiográficas abandonaram o tom choroso e deprimente, como o de Dear John (“Vejo agora que você se foi / Você não acha que eu era nova demais para ser machucada?”), faixa do disco Speak Now escrita para John Mayer, com quem namorou quando ela tinha 20 anos e, ele, 32. Agora as músicas têm uma pegada leve e autoconfiante, mesmo quando falam de rompimentos, como All You Had to Do Was Stay (“Deixe-me lembrar que isso era o que você queria / Você terminou / Você era tudo o que eu queria / Mas não desse jeito”). Sempre disposta a aplaudir colegas com elegância, a sorrir e a dar a sua contribuição contra as mazelas do mundo, ela chegou a ser apontada pela Forbes como a mais caridosa das celebridades por dois anos seguidos, em 2012 e 2013. E as histórias sobre a sua generosidade não para de surgir. “Em shows, já cheguei a ver Taylor dar jóias que ela estava usando para pessoas que estavam na plateia, que ficaram em choque com a atitude”, conta Mark Razz, diretor musical da rádio country 92.5 XTU, na Filadélfia. A personalidade impressa por Taylor às músicas, capaz de fazer o público identificar que uma canção é dela, também não se perdeu. Enquanto entoa versos, ela emana um sentimento entre o sério e o brincalhão e entre o romance e o drama. “Taylor passa uma verdade muito grande, esse personagem delicado que ela apresenta parece ser realmente quem ela é. 95