Ocupação Efêmera da FeliS e seus impactos no Centro Histórico. Espaço público e ocupação efêmera | Page 86

Larissa Zarpelon (2013) de que o vínculo entre cidadão e cidade é realizado a partir da ação de devolução da rua ao cidadão 60 . Ainda considerando o quesito demandas geradas de fluxos e interesses, dois agentes fundamentais para a análise dos impactos se estabelecem: as pessoas que se deslocam para o Centro Histórico em busca da feira como atrativo e as pessoas que moram no Centro Histórico e que participam da feira. Dentro das entrevistas com os frequentadores, muitos afirmaram que não costumavam frequentar o Centro Histórico, exceto em momentos em que ocorriam eventos de seus interesses tais como a FeliS, mas que frequentariam se outras medidas fossem tomadas, como segurança e outras atividades culturais. Desta forma, foi possível perceber o estabelecimento da ideia de movimento espaço-territorial, como fator de transformação do espaço por meio das experiências ali realizadas, e de uma nova percepção do espaço público como um ambiente praticado pelas pessoas que o frequentam. Um dos questionamentos realizados aos moradores foi em relação ao processo de participação, enquanto consulta pública, na elaboração e estruturação da FeliS. No qual foi respondido que não houve uma interação como a população residente. Contudo, os moradores entrevistados afirmaram que participam das atividades, oficinas, palestras e consideram satisfatória a inserção da feira no Centro Histórico, pois se trata de um evento que motiva debates culturais e também sobre a preservação do patrimônio arquitetônico da cidade, diariamente vivenciado por eles. Uma das moradoras comentou que os dias da FeliS são mais tranquilos que nos dias de outros eventos, tanto no quesito barulho quanto no segurança. Dentro do contexto estabelecido pelas Cartas Patrimoniais, é interessante pensar na Feira do Livro como um evento de integração, uma maneira cultural de envolver as pessoas que residem no centro. A existência de um envolvimento participativo da comunidade do Centro Histórico tanto no que se diz respeito à organização quanto durante o período do evento é um fator determinante para se alcançar a ideia de preservação, pertencimento e memória coletiva. Dado o exemplo da FLIP que, mesmo já nascendo com um projeto de revitalização do espaço público de 60 Ver Zarpelon, 2013, p.12. Ver capítulo "Um olhar teórico sobre ocupação e arquiteturas efêmeras" deste trabalho.