Ocupação Efêmera da FeliS e seus impactos no Centro Histórico. Espaço público e ocupação efêmera | Page 85
6.3. IMPACTOS GERADOS ANTES, DURANTE E DEPOIS.
Um dos maiores impactos a ser considerado quando se pensa em atividades
no Centro Histórico é geração de uma demanda de pessoas. A FeliS é um exemplo de
evento que atrai pessoas para o Centro Histórico principalmente no fim de semana, uma
vez que nos dias em que não há realização de atividades o perímetro histórico mantém-
se vazio, deserto e desprotegido. É interessante refletir não apenas na geração de
demanda, mas também no tipo diversificado de pessoas que a feira ajuda a aproximar do
centro antigo, pessoas que normalmente não o frequentam por medo, por falta de tempo
ou apenas por não encontrarem atividades que sejam de seus agrados.
Ao observar as pessoas, sobretudo no fim de semana da feira, foi possível
perceber que o "andar pela cidade", o "andar pela área patrimonial" era realizado de
uma forma mais despreocupada e apreciativa. Sendo notória a quantidade de pessoas
utilizando seus aparelhos celulares, câmeras e eletrônicos. Ações que, em dias comuns,
não seriam ou seriam pouco realizadas. O que nos encaminha a outros pontos de
impacto: 1) a percepção do espaço como um ambiente convidativo a permanência e 2) a
segurança para realizar ações normais sem a preocupação de se estar em uma área
considerada perigosa. Partindo destes pontos, torna-se questionável, discutível e um
fator de reflexão a ideia de área perigosa, assim como os motivos de vulnerabilidade
que nos levam a considerá-la de tal forma.
Durante a realização da FeliS foi possível verificar alguns dos argumentos
utilizados por Jane Jacobs (2011) em "Morte e vida das Grandes Cidades", quando ela
afirma que um ambiente urbano pode ser considerado próspero ao se basear no atributo
de que as pessoas conseguem se sentir seguras e protegidas por estarem na rua entre
diversos desconhecidos. A sen sação de segurança pela presença de outras pessoas e de
policiamento tornou o ambiente mais vivo e, da forma como foi apresentado, mais
propício para a permanência, a troca, a conexão e interações de relações, sendo aspectos
de sociabilidade na qual motiva a existência e função dos espaços públicos. E, por
consequência, caracteriza os objetivos de apropriação de um espaço que as ocupações
efêmeras mantêm dentro do contexto da sociedade e novamente a ideia defendida por