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seu rosto, na sua maneira de representar conforme o público ri ou chora.
Procura, Emmanuelle. Aprende o ofício. O teu ofício de atriz surda. Gaivota atriz sobre a vaga do público-silêncio: escuta!
Escuta bem, com todo o teu corpo. Esta música, este ritmo da assistência, o seu riso, as suas emoções, tens que as perceber. Escuta, com todo o teu ser!
Achei! É fabuloso. Sinto vibrações positivas ou negativas, o calor ou a frieza do público. Acabo de descobrir algo de inexplicável. Nem por escrito nem por gestos. Está para além das palavras, dos ruídos. É... talvez uma misteriosa osmose. Não sei o que é, mas achei. A minha mãe sente orgulho em mim:
" Sabes que quando nasceste eu queria chamar-te Sara? Foi a tua avó que não quis.
Emmanuelle representa Sara. Talvez não seja puro acaso. Será um sinal?
As críticas são formidáveis. No entanto, eu sabia que não iam ser indulgentes. Obrigada por me considerarem uma atriz.
Os profissionais do teatro e do cinema, tocados por tudo aquilo que é do domínio da voz, através da qual passam as emoções, reconheceram ali qualquer coisa que os profissionais da surdez se obstinam a negar. O Teatro Mouffetard e depois o Teatro Ranelagh aplaudiram-nos freneticamente todas as noites. Um espectador, pai de uma criança surda, resolveu aprender a língua gestual por amor da filha. Antes de ver a peça, recusava-se categoricamente a fazê-lo. Não conseguiu conter as lágrimas e veio dar-nos a notícia. Também eu chorei.
E vamos em frente. Lançamo-nos em voo. Ir mais longe, representar mais longe. O sucesso conduzia-nos. E o amor também. Já não sou " eu,", passei a ser " nós ".
A peça foi nomeada para o Prémio Molière.
Leio nos jornais que Emmanuelle Laborit foi designada para o Prémio Molière como revelação de teatro para o ano de 1993. E o Jean pela adaptação do melhor espectáculo.
Olhar. Olhar. Jean diz-me ternamente: