O Mocho Ano 2 - Número 13 - janeiro 2015 | Page 44

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Vamos escrever poesia...

Cavalinho de brincar

No meu cavalo de brincar

Sempre em frente

Cavalgo sem parar

Não tem fome nem tem sede

Alimenta-se de pensar!

É assim…

O meu cavalinho de brincar.

No recreio da escola

Sempre de um lado ao outro

A galope, a galope

Impossível de parar

Acompanha-me o vento

Nesta corrida de sonhar!

É assim…

O meu cavalinho de brincar.

Perto da porta da tua sala

A trote, resguardo a dança no limite.

Crinas esvoaçando, orelhas caídas,

Deslumbrante o teu olhar.

É sorridente, o meu semblante,

Perto de ti, contornando barreiras invisíveis…

Sou assim, à tua porta,

No meu cavalinho de brincar.

Num salto imaginário

Até ao início do nada

Nuvens de algodão embelezam de claridade o teu lugar!

Corcel de arco-íris…

Percorre cada passada a relinchar

E eu, assim, só a procurar por ti, no silêncio…

Cavalgando… cavalgando…

No meu cavalinho de brincar.

Fruto da tua cor

Imerso no teu paraíso interior

Adormeço com esse passeio no meu pensamento!

Feito da tua imaginação

Um mensageiro atravessa reinos num teatro de alegria

Por bosques, riachos, desertos e montes,

Transpondo declives e rochedos

Com os seus cascos de ventania.

Sei que amanhã já não haverá cavalinho.

Amanhã, terei sofrido demasiado para poder brincar.

Amanhã, terá desaparecido a tua imaginação.

E longe, impossível de alcançar…

Caminharei apenas…

À frente da porta da sala onde antes estavas

Ficarei ali, imóvel, estarrecido, a procurar… e a sonhar

Que a pessoa imaginada, em frente ao quadro branco,

Eras tu a cuidar

Do nosso cavalinho de brincar.

Olhei em redor,

Procurei melhor,

Não, não eras tu,

Era só o passado a regressar.

Era só eu a acreditar.

Em ti.

Acabou.

Pedro Barão de Campos.