O Mocho Ano 2 - Número 10 - outubro 2014 | Página 40

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Nesta edição, os alunos do 3º ano escolheram um texto dramático para partilharem com os seus leitores.

Desta vez, a imaginação foi para perto dos palcos e de dois atores.

A proposta de escrita teve como base a peça de teatro “Enquanto a Cidade dorme” de Álvaro de Magalhães, em que a personagem principal, Ana, quando se prepara para ir dormir, encontra um anão no seu quarto que termina essa cena, dizendo “ Estou aqui no teu quarto porque tenho uma missão a cumprir…”

Mas que missão seria esta?

Luzes, Câmara, Ação…

Anão (atrapalhado): Estou aqui, no teu quarto, porque tenho uma missão a cumprir.

Ana (admirada): E qual é essa missão?

Anão: Bem…a minha missão é fazer com que os sem abrigo possam ter uma casa…

Ana: Hã? O que são “sem abrigo”?

O anão surpreendido faz uma pausa, esfrega o queixo, levanta o sobrolho e recomeça…

Anão: Sem abrigo são pessoas que não tem muitas possibilidades, que por algum acaso, que por alguma desgraça, ficaram, tal como o nome indica, sem abrigo…sem casa, sem um teto para se proteger… Ficaram um pouco ao abandono, sem as condições básicas e mínimas para poderem viver.

Ana enquanto o anão fala, afasta o cortinado e….

Ana: AH AH…apanhei-te

Anão (aborrecido): Que piada…

Voz da mãe: Ana, dorme! Dorme e deixa-me dormir! Deita-te!

Ana( encostando a porta devagarinho, para que ninguém os oiça): Está bem mãe… Até amanhã.

Anão (a sussurrar): Percebeste o que te disse? Percebes a importância da minha missão, esta noite?

Ana: Sim…Então, será que posso ir contigo?

Anão: Sim, podes vir! Assim dás-me uma ajudinha!

Ana: Vamos a pé?!?!

Anão (pensativo): Hmmmm…Não! Vamos no carro da tua mãe!

Ana: Mas eu não sei conduzir, sou apenas uma criança…

Anão: Xiuuu… Xiu e segue-me

O anão, sem que Ana se aperceba, espalha-lhe pózinho de perlimpimpim sobre a cabeça, dando-lhe o poder mágico da condução.

Anão: Vá, agora pé no acelarador e mão nas mudanças.

Passadas umas horas de viagem…

Anão: Olha, chegámos. É aqui a rua dos sem abrigo.

Ana (perplexa): E o que fazemos agora?

Anão (pensativo): Bem, deixa-me ver o que trouxe na mala… Já sei… Vou ter que fazer magia, afasta-te.