O Mocho Ano 2 - Número 10 - outubro 2014 | Page 37

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Sentado na sala a trabalhar

Um fado a gemer na aparelhagem

Cenário idílico repentinamente entrecortado

Por um trovão que tudo estremeceu.

A chuva que começou a vergastar a paisagem

Com um força brutal.

Pingos grossos, frios, fortes,

Vergando as folhas que já adormecem

Com a aproximação do fim do verão.

O rufar da chuva do telhado

Dá-nos por outro lado

Uma sensação de conforto

Pelo facto de estarmos abrigados.

Mas é o outono que se aproxima.

Os dias tornam-se mais pequenos, mais frios.

Os ciclos repetem-se e sabemos

Que temos o tempo agreste

Pela frente, do outono e do inverno.

Os trovões ribombam sobre a nossa cabeça

E ficamos com a noção da nossa pequenez

Perante a pujança e energia dos elementos.

Depois da tempestade virá a bonança,

E poderemos esperar por uma acalmia

Da fúria da natureza.

Sentemo-nos, pois, e ouçamos

O tamborilar da chuva,

A música natural que traz simultaneamente

O mau tempo e a promessa de colheitas futuras.