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Sentado na sala a trabalhar
Um fado a gemer na aparelhagem
Cenário idílico repentinamente entrecortado
Por um trovão que tudo estremeceu.
A chuva que começou a vergastar a paisagem
Com um força brutal.
Pingos grossos, frios, fortes,
Vergando as folhas que já adormecem
Com a aproximação do fim do verão.
O rufar da chuva do telhado
Dá-nos por outro lado
Uma sensação de conforto
Pelo facto de estarmos abrigados.
Mas é o outono que se aproxima.
Os dias tornam-se mais pequenos, mais frios.
Os ciclos repetem-se e sabemos
Que temos o tempo agreste
Pela frente, do outono e do inverno.
Os trovões ribombam sobre a nossa cabeça
E ficamos com a noção da nossa pequenez
Perante a pujança e energia dos elementos.
Depois da tempestade virá a bonança,
E poderemos esperar por uma acalmia
Da fúria da natureza.
Sentemo-nos, pois, e ouçamos
O tamborilar da chuva,
A música natural que traz simultaneamente
O mau tempo e a promessa de colheitas futuras.