O Mocho Ano 2 - Número 10 - outubro 2014 | Page 36

36

Vamos escrever poesia...

Sabes,
Sou um pássaro.

Só hoje descobri
Por entre as arcadas do monumento alado em tua honra

Quando esticava os braços que eram asas à sombra
Olhei de relance para um espelho fixo

No outro lado da rua
E vi um corpo de pássaro…

Uma memória de pássaro…

Um levitar… de pássaro

Que não se escondia… nem calava.

Vi uma alma de pássaro…

Que não fugia nem se camuflava

No denso arvoredo que ainda haveria de existir

Junto ao lago sagrado do artista genuíno
Que compõe melodias feitas de si próprio
E se transforma… em breves instantes
Em instantes de si mesmo…

Nos pedaços da obra que inventa

Da escultura que molda

Do poema que escreve…

E ele a sua métrica… a sua regra…a sua forma… o seu
Sentido…

De sonhador…

De apaixonado…

De amante…
E crepita… luz! Crepita!
Cintila firmamento suave! Eu espero por ti… pela tua voz!

Espero… pelo teu sabor sumptuoso… febril… Quente…

Pelo teu silvo ardente…

Essa melodia divinamente harmoniosa

Que estipula… todos os limites do céu…

Aqui…

Ali…

No infinito…

Por dentro do vácuo ermo e sorridente

Desse lampejo de liberdade que é voar…

Assim…

Com as asas… Abanando…

Assim.…

Porque, sabes?

Sabes… meu bom amigo..

Hoje descobri…
Sou um pássaro!