Ética e Agricultura
Tema Anual
Ao aproximar-nos da segunda metade da segunda década do século XXI, um dos temas que começa a surgir com alguma frequência no que à Sustentabilidade do Planeta diz respeito é a ética na agricultura.
Peter Singer, professor de Bioética na Universidade de Princeton e professor laureado na Universidade de Melbourne, tem vindo a chamar a atenção para um facto que aparentemente poderá não chamar a atenção ao comum dos cadadãos, mas que poderá vir a representar a sua liberdade de alimentação num futuro mais ou menos próximo.
Se perguntarmos ao cidadão comum se há algum mal em que países desenvolvidos adquiriam terrenos agrícolas em países do terceiro mundo, a maior parte dos eventuais inquiridos dirá que isso dependerá dos donos dos próprios terrenos e até mesmo dos governos dos países onde isso se passa.
Mas se dissermos que os países desenvolvidos adquiriram já nas duas últimas décadas cerca de 1,7% de todo o terreno agrícola no planeta, talvez comecemos a perceber que não estamos a falar de números pequenos, mas sim de um enorme movimento que acaba por adquirir terrenos em países pobres em que os donos do terreno não são necessariamente livres para poderem tomar um decisão que não esteja profundamente influenciada.
O excerto seguinte foi retirado se um artigo do jornal Público que é umna tradução de um trabalho de Peter singer sobre Ética e a Agricultura. (http://www.publico.pt/opiniao/noticia/etica-e-agricultura-1580832 )
“ Deveriam os países ricos – ou os investidores aí estabelecidos – comprar terrenos agrícolas em países em desenvolvimento? Esta questão foi levantada no relatório Negociações Transnacionais de Terrenos para Agricultura no Hemisfério Sul, divulgado no ano passado pela Land Matrix Partnership, um consórcio europeu de institutos de investigação e de organizações não-governamentais.
O relatório mostra que, desde 2000, os investidores ou órgãos estatais dos países ricos ou emergentes compraram mais de 83 milhões de hectares (mais de 200 milhões de ares) de terrenos agrícolas em países em desenvolvimento mais pobres - o que equivale a 1,7% dos terrenos agrícolas a nível mundial.”
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