O joo do anjo Carlos Ruíz Zafón - O Jogo do Anjo | Page 390
PDL – P ROJETO D EMOCRATIZAÇÃO
DA
L EITURA
fotografias, identificando o elenco de personagens que posavam sorridentes junto ao velho
advogado para constatar que o escritório de Valera, Marlasca e Sentis era um órgão vital
no funcionamento de Barcelona. O filho de Valera, bem mais jovem, mas absolutamente
reconhecível, também aparecia em alguns retratos, sempre em segundo plano, sempre
com o olhar enterrado na sombra do patriarca.
Percebi antes mesmo de ver. No retrato apareciam Valera pai e filho. A foto tinha sido
tirada nas portas do 442 da Diagonal, ao pé do escritório. Junto a eles aparecia um
cavalheiro alto e distinto. Seu rosto também aparecia em muitas das outras fotos da
coleção, sempre ombro a ombro com Valera. Diego Marlasca. Concentrei-me naquele
olhar turvo, o semblante afilado e sereno contemplando-me de dentro do instantâneo tirado
25 anos atrás. Assim como o patrão, não tinha envelhecido um só dia. Sorri amargamente
ao compreender minha ingenuidade. Aquele rosto não era o que aparecia na fotografia que
meu amigo, o velho ex-policial, tinha me dado.
O homem que eu conhecia como Ricardo Salvador não era nada mais nada menos do
que Diego Marlasca.