O joo do anjo Carlos Ruíz Zafón - O Jogo do Anjo | Page 382

PDL – P ROJETO D EMOCRATIZAÇÃO DA L EITURA Desliguei e voltei a esperar a linha. Dessa vez, dei à telefonista o número que Ricardo Salvador tinha me fornecido. O vizinho respondeu à chamada e disse que ia subir para ver se o ex-policial estava em casa. Salvador respondeu quase imediatamente. — Martín? Está bem? Está em Barcelona? — Acabei de chegar. — Tem que tomar muito cuidado. A polícia está à sua procura. Estiveram aqui fazendo perguntas sobre você e sobre Alicia Marlasca. — Victor Grandes? — Acho que sim. Estava com um par de grandalhões que não me pareceram nada simpáticos. Parece que quer jogar as mortes de Roures e da viúva Marlasca nas suas costas. É melhor que fique de olho. Com certeza, está sendo vigiado. Se quiser, pode vir para cá. — Obrigado, Sr. Salvador. Vou pensar. Não quero metê-lo em nenhuma enrascada. — Faça como quiser, mas fique de olho. Você tinha razão: Jacó voltou. Não sei por que, mas voltou. Tem algum plano? — Agora vou tentar encontrar o advogado Valera. Penso que quem está no centro de tudo isso é o editor para quem Marlasca trabalhava e acredito que Valera é o único que conhece a verdade. Salvador fez uma pausa. — Quer que o acompanhe? — Não penso que seja necessário. Ligarei assim que tiver falado com Valera. — Como preferir. Está armado? — Sim. — Fico mais tranqüilo. — Sr. Salvador... Roures falou de uma mulher no Somorrostro a quem Marlasca tinha consultado. Alguém que ele conheceu através de Irene Sabino. — A Bruxa do Somorrostro. — O que sabe dela? — Não há muito que saber. Não creio nem que exista, assim como esse editor. Deve se preocupar é com Jacó e com a polícia. — Certo, pensarei nisso. — Ligue assim que souber de alguma coisa, combinado? — Claro. Obrigado.